Fernando Costa

Fernando Costa, com apenas 30 anos, já foi vice-presidente da União Guarulhense de Estudantes Secundaristas (UGES), Membro da executiva da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Foi assessor parlamentar durante cinco anos e responsável pela apresentação de inúmeros projetos de lei. Atualmente é editor do Jornal Primeira Página e Diretor Presidente da Agência FFC Publicidade.

14 agosto 2007

Nada a Declarar

Retrato da elite brasileira através de um artista em estado crítico.
Curta do diretor Gustavo Acioli.

Click no link e assistam

http://www.portacurtas.com.br/filme.asp?COD=1907#

O Cansei já cansou

Por Fernando Costa

Parece que o "Cansei" não comoveu setores da mídia e da sociedade, o fato de não haver políticos de alta graduação, e tampouco intelectuais que se prestem a participar de um movimento pouco orgânico e com prazo de validade, faz com que estes setores não se concentrem em jogar peso político efetivo no movimento, liderado pelo empresário e promotor de eventos João Dória Jr. Este que, nos últimos dias se reuniu com inúmeros políticos do PSDB, em defesa do movimento. “Não somos oposição. Somos pelo resgate da solidariedade. O movimento está ultrapassando fronteiras e se expandindo por toda a sociedade”, disse Dória sobre o “Cansei”.

A prova do pouco apoio, inclusive na oposição, se resume ao comentário do ex-governador paulista Cláudio Lembo (DEM), que afirmou: “Deve ter soprado de Campos de Jordão, meca fria da breguice endinheirada de São Paulo, os novos ventos da campanha “Cansei”, capitaneada pela camada superior da “elite branca” sulista. Empresários e mauricinhos paulistas, acostumados a restaurantes na Rua Amauri e Vila Nova Conceição, com suas adegas climatizadas, contas surreais e garçons servis, finalmente se dizem cansados da “impunidade”, do “descaso”, das “balas perdidas”. O ex-governador finaliza apontando que o Cansei é ridículo porque a burguesia paulista é ridícula.

Alguns (como eu) classificam o Cansei como uma movimentação que resgata o clima golpista de 64. São setores da elite paulistana que historicamente deram as costas ao Brasil. Exemplo que o foco do movimento é o desgaste do governo Lula é a pauta de reivindicações em que não cabem os desmandos no setor de segurança pública paulista, a situação da educação pública, a greve dos estudantes da USP, o buraco do metrô e o superfaturamento das obras do CDHU.

Apesar da fraqueza do movimento, vale a pena aprofundar um pouco mais a reflexão para entender melhor os acontecimentos: o “Cansei” é fruto da insatisfação da elite e de parte das classes médias com o governo: os mais ricos se irritam porque perdem espaço na agenda do governo federal, logo eles que sempre foram privilegiados. A revolta deste pessoal com o presidente Lula é ainda maior porque percebem que o governo é mais popular, tem um programa de inclusão bem mais arrojado que o de FHC, e está dando certo no campo econômico. Em outras palavras, os sucessos do governo só fazem deixar a classe alta e média burguesia ainda mais irritadas com o presidente-operário e seus ministros.


Tudo somado, a verdade é que a insatisfação dos ricaços, e dos que almejam chegar lá, existe desde o primeiro dia do governo Lula, mas estava latente. A crise aérea afetou diretamente esta turma, de forma que a popularidade do presidente neste segmento despencou, como atesta a pesquisa Datafolha. No povão, nem sinal de mudança – a turma deve estar achando até divertido ver o andar de cima passando por alguns apertos. De fato, “a dor da gente não sai no jornal”, reza o velho ditado: não há uma única matéria sobre “crise terrestre”, digamos assim, que afeta os pobres dia sim e outro também. Lula governa para essa gente, daí os índices de popularidade se manterem inalterados.

Vai ser assim até o fim do mandato: pobres de um lado, ricos de outro. Não é venezuelização porque Lula não é Chávez, mas, ao final, teremos um país dividido no que toca à avaliação do governo federal. Ao contrário do que muita gente diz por aí, eu avalio que isto é bom e deixa a política brasileira melhor e mais transparente, porque cada camada social terá a representação que lhe cabe.

Educação: Financiamento do transporte escolar terá R$ 600 milhões





O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta terça-feira (14) o programa Caminho da Escola, que visa renovar, ampliar e padronizar a frota de veículos de transporte escolar para estudantes da educação básica de escolas públicas da zona rural.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem uma linha de crédito de R$ 300 milhões para estados, municípios e o Distrito Federal financiarem a compra de 2,5 mil veículos zero-quilômetro e embarcações. Os recursos deverão ser aplicados até 2009. A expectativa é que o programa atenda 4,5 mil municípios.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, explicou que a compra dos veículos deve ser por meio de pregão eletrônico, com isenção de impostos. “Da combinação da escala da compra com a desoneração tributária os preços [dos veículos] tenderão a cair”, disse. O responsável pelo pregão será o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O prazo do financiamento é de seis anos, com carência de seis meses e taxa de juros de 4% ao ano. Só pode participar do programa quem aderir ao FNDE.

Foi lançado também o Programa de Financiamento à Aquisição de Veículos de Transporte Escolar (Pró-Escolar) voltado para empresas do setor privado e pessoas físicas que realizam atividades de transporte escolar rural e urbano das redes públicas estaduais e municipais. O programa tem uma linha de crédito de R$ 300 milhões.

“Se investirmos R$ 600 milhões, vamos estabelecer um fluxo de reposição da frota em que as crianças nunca mais terão que andar em outro tipo de veículo. O presidente [Lula] tem dito que se houver uma forte demanda de estados e municípios, nós poderemos já no ano que vem aumentar as linhas de financiamento”, destacou Haddad.

A Carne é fraca

Trecho do Video produzido pelo Instituno Nina Rosa


Os ovos podres das elites do "Cansei"

Laerte Braga

José Bonifácio Filho, o Boninho, diretor do prostíbulo global BBB (Big Brother Brasil) confessou ao jornal EXTRA que gosta de atirar ovos podres nas pessoas que passam nas ruas e que "já acertei muitos ovos em muitas vagabundas em São Paulo".

Um vídeo com as declarações de Boninho e outras cabeças coroadas das elites do País, dentre eles Leonel Brizola Neto (deve ser um equívoco, falo do nome, não do neto, o avô era decente, não andava em companhia de globais), e a "socialite Narcisa Tamborindeguy, está no Youtube, com o título de "Ovos 2".

A turma, quase todos, faz parte do movimento CANSEI. Boninho é um dos diretores mais importantes da GLOBO e a reação da rede foi partir para cima do jornal e não dos pobres e infelizes atiradores de ovos, vítimas do tédio e que comete, em essência, o mesmo crime que os estudantes do condomínio fechado que agrediram e roubaram uma trabalhadora na Barra da Tijuca.

Todos vestem DASLU, adoram bolsas da Louis Vuiton, freqüentam colunas sociais e contribuem para obras de caridade do tipo "CRIANÇA ESPERANÇA", aquela que permite à GLOBO mostrar meia dúzia de "empreendimentos caritativos", descontando uma nota grossa do imposto de renda e permitindo faturamento sólido e tranqüilo, em nome da livre iniciativa, às empresas de telefonia fixa e celular do Brasil.

Já Lula, é semi-analfabeto, não tem um dedo, fala um monte de "bobagens" e ainda inventou esse negócio de "bolsa família" para que as pessoas famintas possam comer. Diminuiu a diferença entre pobres e ricos nos seus quase cinco anos de governo, apesar de muitas besteiras, essas sem aspas.

Esse tipo de gente não tolera isso. Como é que o "coronel" vai controlar o eleitor se não puder mantê-lo faminto, analfabeto e assim dócil e servil?

As declarações de Boninho são revoltantes, mas são o retrato das elites brasileiras. Não prestam. A GLOBO é o principal porta voz dessa gente. Vende o mundo da ilusão e da fantasia em seus programas, o mundo de mentira no JORNAL NACIONAL e ainda se dá ao luxo de exibir seu prostíbulo uma vez por ano em canal aberto e com direito a voiaeurismo 24 horas por dia em canal fechado.

Numa das passeatas do CANSEI, média de 200 pessoas por capital, além evidente dos empregados convocados debaixo de ameaças, dos carregadores de liteiras das "dondocas enfadadas", um cartaz "somos a elite que presta". O reconhecimento implícito que não prestam ou que pelo menos existem as que não prestam mesmo. Prestam menos.

O ser cada vez mais transformado em mercadoria dessa gente. De Boninhos da vida. A socialite Narcisa Tamborindeguy, filha de empresário e de uma ex-deputada, afirmou que às vezes joga "rosas". Isso quando está na fase light. Nas fases críticas do tédio e da afirmação de que é elite e pode tudo impunemente, joga ovos, baldes d’água e vai por aí afora.

Um dos "atletas", no esporte cheira/cheira, disse que um dia jogou uma vassoura para levar as bruxas de sua casa.

É o modelo que a GLOBO vende.

E a Polícia? Falo do Rio, onde o fato aconteceu e de São Paulo.

Ocupa o Morro do Alemão, mata traficantes e inocentes. Pega uma grana por baixo do pano. É denunciada no exterior por violência e corrupção e a turma que consome continua tranqüila, impávida e atirando ovos podres em pessoas que passam e que chamam de "vagabundas".

Segundo a receita de Boninho é só injetar éter nos ovos que em três dias ficam podres e em condições de serem atirados nas/nos vagabundas/os.

Devem se achar mais civilizados que Nero que soltava os leões na arena do Coliseu e deve ser por isso, associação, que o partido da ditadura militar chamava-se ARENA. Hoje dividiu-se em PSDB, DEMOCRATAS, PTB, a turma que CANSOU.

O vídeo é um repulsivo exemplo do caráter dos caras que formam a opinião no País na telinha nossa de cada dia.

Não vai demorar a aparecer alguém para dizer que isso é apenas brincadeira de criança e coisa sem maior importância.

Como os caras que agrediram a moça na Barra e "meu filho é um estudante não pode estar preso no meio dessa gente que é criminosa". Pode não. Tem que ser em jaula, Isso é animalesco, não é humano.

Veja o vídeo:


Lula, o imperdoável

Acredite apenas no que seus olhos vêem e seus ouvidos
Ouvem!
Também não acredite no que seus olhos vêem e seus
Ouvidos ouvem!
Saiba também que não crer algo significa algo crer!

Bertold Brecht

Muito se escreveu sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio da Silva e a derrota dos chamados "formadores de opinião". Sem dúvida, como já tive oportunidade de destacar, a vitória eleitoral de Lula pôs a nocaute o campo jornalístico brasileiro, seus estatutos de verdade e a crença nos dispositivos que regulam a relação entre os responsáveis pela produção e difusão do noticiário. Uma derrota acachapante para um campo que se notabiliza por considerar que cabe exclusivamente a ele, como suporte do capital, monopolizar o uso da razão pública. Um aparelho ideológico cioso de sua centralidade.

Em outras palavras, o poder midiático se constitui não mais como mediador, mas como incorporação acabada da própria opinião pública. Se a representação parlamentar de oposição é incapaz de estabelecer uma dinâmica de competição de políticas públicas de longo prazo, cabe ao monopólio informativo assumir o papel de único partido de direita com projeto definido: uma estratégia bem articulada que reitere o caráter autoritário da estrutura social brasileira. E é a isso que tem se dedicado, com afinco, a grande imprensa brasileira em colunas, editoriais e artiguetes.
A forma como o discurso noticioso se organiza e se reproduz, ao tratar do acidente com o Airbus A-320 da TAM, não deixa qualquer dúvida quanto aos objetivos. Trata-se de deslegitimar Lula não tanto pelo que ele faz, mas pelo que representa: uma ruptura com a concepção clássica de cidadania como privilégio de classe. Ou na definição precisa de Marilena Chauí “uma concessão regulada e periódica da classe dominante às demais classes sociais que poderá ser-lhes retirada quando os dominantes assim o decidirem". É disso que se trata. É o que explica um comportamento que talvez só encontre paralelo nos episódios que levaram Getúlio Vargas ao suicídio, em 1954. Ou ao golpe militar, 10 anos depois.

Redações e ilhas de edição se transformaram em trincheiras do udenismo redivivo.Articulistas, colunistas e jornalistas-blogueiros convertem-se em "briosos" quadros de um "parlamento sem voto". Imaginam-se tutores da opinião, senhores da informação. Sabem que mais que mais que o tucanato, foi o “Partido Mídia” o grande derrotado em 2006, e não pouparão esforços para a desforra.

O facciosimo, o ódio de classe e a índole golpista desses respeitáveis senhores e senhoras da mais "conceituadas" publicações não têm outro fim que não seja o da preservação da desigualdade, do mandonismo e de uma estrutura jurídica que, não definindo direitos, assegura privilégios. É preciso golpear a qualquer preço a constituição de uma efetiva esfera pública, valendo-se do discurso ideológico travestido de "opinião avalizada de especialistas em cidadania.". Disso dependem para continuar como atores políticos.

Lutam tanto pelo emprego quanto pela auto-representação.Precisam da anomia para se apresentar como fiadores da ordem. E pouco importa quão excludente ela seja.

Quando em editorial, a Folha de S.Paulo (2 de agosto de 2007) afirma que"não procede, tampouco, a acusação de golpismo. O "Fora Lula" ameaça tanto a democracia quanto o "Fora FHC", entoado pela militância petista, a ameaçava no passado -em nada. Nem se pode acatar o argumento, implícito nas críticas do governismo, de que a organização de protestos seja direito circunscrito às elites oriundas do sindicalismo", estamos diante de palavras vadias, argumentação falaciosa, sofisma barato. Não ocorreu ao editorialista lembrar que o “Fora FHC" foi abafado pela mesma imprensa que orquestra o “Fora Lula"? Uma palavra de ordem que aglutina as forças mais reacionárias do país em movimentos de clara inclinação desestabilizadora.

Outro articulista, dono de um conhecido blog, indaga nas páginas do Globo:"então me respondam: E quando Lula, assim do nada, cita o golpe militar de 64 e diz que ninguém mais do que ele é capaz de pôr gente na rua, o que isso significa?". A resposta é tão cristalina como água. Significa, prezado jornalista, o grande pavor da sua corporação. É ela quem teme as ruas. Sabe que são, por excelência, os espaços vitais para que o indivíduo, acomodado entre quatro paredes de sua casa, se emancipe do espetáculo e assuma a cidadania.

No universo da ficção é sabido que há atores que não funcionam em determinados personagens. O melhor cenário para o golpismo é a indolência do telespectador ante o enredo macabro de certas novelas. Quando expressões de desespero ocupam a dobra superior da primeira página do jornal da família Marinho, como na edição desta quinta-feira, 2 de agosto de 2007, estamos diante da folhetinização da dor a serviço de uma encomenda política.

É chegada a hora de ocupar as ruas e se solidarizar ao presidente da República: o “outro de classe”, e por isso imperdoável, que lançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC ), um projeto de investimento que precisa ser apagado da memória social a todo custo.É necessário esquecer que, após anos de pilhagem neoliberal, o país entrou em rota de crescimento sustentável, com o emprego formal batendo recordes sucessivos e inequívocos processos de redistribuição. Planejamento de longo prazo que a narrativa jornalística não discute por não suportar seu significado político.

Ocupar o espaço público é afirmar que o país já não comporta mais uma democracia sem povo e não tolerará a tentativa de reedição de retrocessos. Eis a nossa área de escape, nossa manobra decisiva contra projetos de amnésia social que têm por finalidade retomar o aparato estatal. Que as avenidas sejam repovoadas como áreas de ação democrática.

Bolsa Família impulsiona crescimento da economia alagoana

Os programas de transferência de renda do Governo Federal, em especial o Bolsa Família, estão mudando a face da economia alagoana, tradicionalmente baseada na extração da cana de açúcar e na pecuária. É isso que mostra o estudo realizado pelo professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles de Carvalho. Segundo o estudo, as políticas sociais e os programas de investimentos federais vêm criando um mercado interno e popular que está modificando a paisagem econômica de Estado.

O Bolsa Família atende em Alagoas cerca de 350 mil famílias - mais da metade da população. Ao todo, o programa libera cerca de R$ 240 milhões, por ano, ao Estado: "Mais de três vezes o valor que rende o corte de cana", compara. O professor calcula que, dos R$ 12 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) alagoano, cerca de R$ 4 bilhões venham das transferências diretas - ou seja, um quarto do PIB estadual.

O trabalho também aponta que há 40 meses, desde março de 2004, Alagoas bate recordes na pesquisa mensal do comércio feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados obtidos mostram que houve no Estado crescimento maior do que a média nacional, com taxas positivas e muito maiores que as médias brasileiras. Cícero observa que nesse período não aconteceu nenhum grande investimento local em infra-estrutura ou por parte de grandes empresas: "Como não existiu investimento, o impacto do Bolsa Família foi muito importante para estimular a economia local", analisa.

Em Alagoas, os recursos do Bolsa Família somam mais de R$ 22 milhões mensais. Levando em conta que cada família que recebe o recurso tem mais outros quatro membros, em média, mais de um milhão de pessoas beneficiam-se do programa todo mês. O dinheiro é utilizado principalmente na compra de alimentos, remédios, transporte e no varejo da construção civil. Mas os recursos vão basicamente para a comida: "É um programa importante porque atinge uma faixa pobre da população, muito mais pobre que os beneficiários do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), por exemplo. E tem uma capilaridade fantástica - vai da periferia da capital, Maceió, às localidades mais distantes do interior, as quais estão desprovidas de atividade econômica", explica Carvalho.

O valor do benefício Bolsa Família representa, na opinião do professor, um ganho de capacidade de compra extraordinário, corrigindo hoje uma histórica demanda de consumo reprimido. "O conjunto de programas do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), em especial o Bolsa Família, causou uma mudança imediata na dinâmica na economia alagoana. É um programa muito positivo", elogia o pesquisador. Como conseqüência dessa dinâmica, segundo ele, houve melhoria evidente na vida da população mais pobre e avanço nos setores produtivos voltados para segmentos populares, que atendem o público D e E: "Esses setores estão crescendo e dinamizam a economia das áreas pobres".

Para o professor Cícero Carvalho, há consenso entre as representações comerciais alagoanas, que consideram imprescindíveis a política de transferência de renda do Governo Federal e os programas sociais permanentes para o desenvolvimento do Estado. "Alagoas disputa o ranking da miséria com Piauí e Maranhão, mas percebe-se que o Bolsa Família vem mudando os índices do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no nordeste brasileiro. Tanto que os estudos do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) já mostram uma redução suave da distribuição da riqueza em Alagoas e no Nordeste. A curva deixou de crescer. Isso é motivo de comemoração. O melhor de tudo é que ela é decrescente. A explicação para isso são os programas federais".

Na visão do presidente do Conselho de Administração do Banco do Cidadão - uma instituição que opera com micro-crédito para empreendimentos populares - Pedro Verdino, o Bolsa Família é um programa importantíssimo que tem resolvido uma questão fundamental, que não pode esperar: a fome. Mas, em muitos casos, o benefício recebido não é utilizado exclusivamente na compra de alimentos: "Um número significativo de pessoas que financiamos, a maior parte beneficiários do Bolsa Família, geralmente é de empreendedores que utilizaram o valor recebido em negócios próprios, a partir do que sabiam fazer", diz Verdino.

De acordo com o integrante do Banco do Cidadão, a necessidade de resolver o problema da falta de emprego leva as pessoas a essa iniciativa. Cerca de 70% dos empreendimentos financiados pelo banco são investidos no comércio de produtos alimentícios ou correlatos, artesanato e corte e costura. "O Bolsa Família acaba sendo a oportunidade de buscar uma alternativa econômica para resolver o problema da exclusão econômica. Nosso objetivo é que essas pessoas, por meio do programa, invistam em atividades geradoras de renda.

Pedro dos Santos Felipe Neto, 30, é um dos beneficiários do Bolsa Família que já está no seu quarto empréstimo no Banco do Cidadão. Ele produz, artesanalmente, sabão em pedra caseiro para vender nos mercados do pequeno comércio de Maceió. Sua produção mensal é de 20 mil unidades. Com o primeiro empréstimo que fez - R$ 80 - proveniente do recurso recebido pelo Bolsa Família, o comerciante pôde estabilizar seu negócio e crescer cerca de 20%. Depois, foi adquirindo novos empréstimos e aumentou sua produção: "O Bolsa Família ajudou porque, antes, vivia muito apertado. Agora a expectativa é de ampliação do negócio. Futuramente, quero comprar um carro para, assim, diminuir ainda mais as despesas", conta.

Na análise do professor Cícero Péricles de Carvalho, o cenário alagoano - e brasileiro - vem mudando. "Hoje, o Nordeste é a bola da vez da economia brasileira: cresce a taxas maiores que as taxas nacionais, devido ao consumo reprimido. A região inteira cresceu, ainda assim, os maiores ganhadores são os segmentos C, D e E, historicamente os mais necessitados", finaliza Carvalho.

Marcos Jorge/Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome