Fernando Costa

Fernando Costa, com apenas 30 anos, já foi vice-presidente da União Guarulhense de Estudantes Secundaristas (UGES), Membro da executiva da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Foi assessor parlamentar durante cinco anos e responsável pela apresentação de inúmeros projetos de lei. Atualmente é editor do Jornal Primeira Página e Diretor Presidente da Agência FFC Publicidade.

21 agosto 2007

Por um modelo de comunicação democrático

Por Renato Rovai


O movimento de concentração dos meios de informação em um número cada vez menor de grupos empresariais não é algo exatamente novo. Como também não é nova a partidarização de grupos midiáticos e o seu envolvimento com golpes de fundo político. Acontece que, no caso Venezuela, tais aspectos ganharam maior dimensão. Entre outras coisas, isso se deve fundamentalmente a que, no atual ciclo da História, os aparelhos informacionais ampliaram em muito o poder que detinham antes de a sociedade ser globalizada e mundializada.
Neste novo estágio histórico, apesar de estarem cada vez menos comprometidos com os interesses da sociedade e mais vinculados a interesses mercadológicos e empresariais, os veículos de comunicação assumem a si mesmos como equivalentes da opinião pública, sendo tanto o seu espaço de manifestação como o seu representante. A partir dessa construção, buscam operar um novo tipo de democracia, que teria como característica principal ser referenciada nos meios de comunicação de massa. A isso se denomina Midiático Poder.
No Midiático Poder, os veículos de comunicação são os “representantes” legítimos da sociedade no debate público, principalmente no que se refere aos temas mais relevantes, como os de política e economia. Trata-se, no entanto, de uma substituição operada por esses veículos, estratégia de atuação midiático-política que, quando levada ao extremo, em geral tem sido derrotada, como aconteceu no caso venezuelano, nas eleições de Evo Morales, na Bolívia, e mesmo nas últimas eleições presidenciais brasileiras.
O insucesso dessas operações, no entanto, não significa que o debate a respeito da democratização dos meios e do direito à comunicação deva ser colocado em segundo plano. Ao contrário, ganha ainda mais importância. Se os intentos de ontem foram fracassados, nada garante que os de amanhã também o serão.
Por essa razão, é preciso entender o papel da mídia no atual contexto global. E os motivos que a levam a tornar-se cada vez mais o partido dos interesses dos grandes grupos econômicos e do modelo neoliberal. Na Venezuela, no ano de 2002, a mídia foi protagonista de duas tentativas de golpe para defender esses interesses. Um dos golpes, o mais discutido, foi o de 11 de abril, que denomino de midiático-militar. O outro se deu em dezembro de 2002 e janeiro de 2003, o midiático-econômico.
Aliás, é preciso registrar que alguns estudiosos só consideram como tentativa de golpe a ocorrida de 11 a 14 de abril de 2002, ocasião em que o presidente Hugo Chávez chegou a ser deposto e encarcerado. Entendo e defendo que, nos meses de dezembro de 2002 e janeiro de 2003, teve lugar outra investida golpista, mais complexa, mas nem por isso menos totalitária. Com a mídia capitaneando o processo, realizou-se por dois meses uma ação de desabastecimento de bens essenciais de consumo, principalmente para a população mais pobre, combinada com uma paralisação na produção de petróleo – que representa em torno de 50% da arrecadação fiscal do Estado venezuelano – e uma campanha de sonegação tributária. Tratou-se de um golpe midiático-econômico, a meu ver muito mais apropriado, por sua forma, à lógica e às dinâmicas daquilo que os neoliberais convencionaram chamar de “capitalismo moderno”.
Naqueles dias, os meios de comunicação privados realizaram a maior guerra informativa dos tempos modernos. “As quatro principais emissoras de TV suspenderam a programação habitual nos 64 dias desse movimento e se eliminaram os comerciais de produtos, as telenovelas, os filmes e os desenhos animados”, registra a advogada Eva Golinger. Ela ainda cita, no seu livro sobre Hugo Chávez, um estudo do professor de comunicação Luis Britto García, que calcula em 17.600 o número de anúncios publicitários contra o governo, a favor do movimento golpista e de “terrorismo midiático” veiculados por essas quatro emissoras nos 64 dias daquele evento.
Mas o que fazer para se contrapor a esse novo momento de globalização dos meios de comunicação de massa e ao seu processo de concentração? O que fazer para enfrentar os grandes aparelhos informacionais que são instrumento político de um modelo econômico e que defendem uma linha política com claros posicionamentos conservadores do ponto de vista moral, comportamental, cultural etc.?
Não me parece adequado que esse enfrentamento se dê a partir da construção de grandes aparelhos de comunicação do Estado. Isso não significa que o Estado não deva ter seus veículos. Eles são fundamentais. Mas não garantem a democratização da mídia. No caso Venezuela, por exemplo, o pós-Chávez pode até levar a uma situação semelhante à vivida na Itália nos anos Berlusconi. O caso italiano, aliás, é exemplo de que o debate do Midiático Poder não é algo apenas para ser tratado por conta das ameaças à periferia do planeta. Lá, enquanto primeiro ministro, Berlusconi teve o controle de todas as redes de canal aberto do país. Pois ele já era proprietário dos meios privados e passou a comandar, como chefe de Estado, os canais públicos.
Ao não renovar a concessão da RCTV e ao passar o controle da rede para o Estado, Chávez também fortalece a posição de Gustavo Cisneros, que passa a ser o proprietário do único grande grupo privado de TV aberta na Venezuela. Numa situação hipotética de Cisneros ou um dos seus vir a se tornar o chefe de Estado, seria vivida no país uma nova ditadura midiática.
O que se faz fundamental é apostar na proliferação de novos produtores de informação em todos os cantos e de todas as formas. Seja em rádio, TV, internet, veículos impressos etc. Um governo democrático precisa investir considerável percentual de sua receita de comunicação e de publicidade no fortalecimento de iniciativas que possam vir a tornar o maior número de pessoas também em emissores de informação.
É só dessa forma que se poderá construir uma nova rede informacional, algo como aquilo que costumo definir – utilizando-me de uma metáfora do escritor uruguaio Eduardo Galeano – como um bando de marimbondos que, atuando conjuntamente, pode derrotar um rinoceronte.
Seria uma rede de pequenas iniciativas, ampla e não-centralizada, que fosse capaz de se contrapor – pela sua riqueza, diversidade, seriedade e compromisso público – aos grandes conglomerados midiáticos. Hoje, essa utopia de muitos anos é possível de ser construída por conta dos novos recursos tecnológicos.
Não imagino que essa ação, no entanto, deva ser dissociada de um debate sobre o comportamento ético dos aparelhos midiáticos. Os veículos de informação não podem ser livres de responsabilidades. Nem livres para utilizar quaisquer recursos ou métodos para alcançar seus objetivos nos planos político e econômico, seja quando vão a um golpe, seja quando se matam por pontos na audiência.
Devem, sim, ser livres para produzir informação. Devem ser radicalmente livres. Mas precisam responder pelo que produzem, segundo critérios referentes às várias responsabilidades sociais dos diferentes meios. Veículos que receberam concessões públicas de ondas eletro-eletrônicas limitadas devem se reportar a um tipo de estatuto diferente de veículos impressos ou produzidos para internet. Esse é apenas um dos pontos. Há muitos outros.
Construir códigos e legislações que sejam eficazes para garantir a diversidade de opiniões e grupos na distribuição dos aparelhos informacionais e, ao mesmo tempo, impedir que sejam utilizados sem critérios não é censura. É dever democrático.
Há muitos caminhos para se chegar a um outro modelo. No caso brasileiro, imagino que um deles poderia ser a realização de uma Conferência Nacional de Comunicação, com encontros a partir dos municípios até instâncias maiores. Essa Conferência teria como meta construir um Sistema de Comunicação Democrática – talvez nos moldes do Sistema Único de Saúde, o SUS. Nela, seriam debatidos desde o destino dos recursos públicos para a área e os critérios para a classificação da programação da TV aberta até a limitação da propriedade cruzada em comunicação. Finalizados os seus trabalhos, suas definições seriam levadas ao Congresso Nacional para se tornarem base de um novo modelo na área.
Não há dúvida de que se trata de um desafio gigante colocar de pé uma Conferência Nacional de Comunicação, assim como fazer com que seus resultados cheguem a ser leis. Mas, para se construir um novo modelo que permita, aos diferentes segmentos da sociedade, real participação, esse pode ser um dos caminhos mais adequados, pelo seu modo democrático e sua amplitude.

Renato Rovai é editor da revista Fórum e acaba de lançar o livro "Midiático Poder – o caso Venezuela e a guerrilha informativa" (Publisher Brasil Editora).

Eu vi o “Cansei” por dentro

Por Osvaldo Bertolino*

Passei parte da tarde do dia 17 de agosto de 2007 acompanhando a manifestação do grupo “Cansei” em São Paulo. Depois, participei da entrevista coletiva de um de seus líderes, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – seção São Paulo (OAB-SP), Luiz Flávio Borges D'Urso. As várias entrevistas que fiz mostram a essência do movimento.

Cheguei à Praça da Sé às 12h30min, quando uma pequena aglomeração já ouvia um discurso inflamado do conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil — seção São Paulo (OAB-SP) João Baptista de Oliveira pedindo “a volta do Brasil de paz, sem corrupção e crime organizado”. “Mais vale ascender uma vela do que maldizer a escuridão. Viemos aqui ascender uma vela na frente da casa de Deus”, disse ele, voltando-se para a catedral que estava atrás do palco. “Os brasileiros de bem estão aqui representados”, decretou.

À frente do palco, seis pessoas formavam uma barreira com cartazes agressivos contra o presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva. “Incompetente, enganador, mentiroso e falastrão”, dizia um deles. O autor, que se identificou como Paulo Roberto e disse ser industrial, afirmou que estava ali porque o governo Lula era um “desastre”. “Por quê?”, perguntei. “Porque só se vê corrupção neste país”, disse. Ao lado, Ricardo Fernandes, que se identificou como assistente administrativo, atalhou: “Eu odeio este barbudo.”

Protesto contra corrupção e bala perdida

No Palco, João Baptista Oliveira insistia que “queremos de volta o Brasil que enche nossos corações de orgulho”. “Minha filha, que se esforçou para ter um diploma, só conseguiu emprego na Europa. Agora, para eu visitar minha netinha, de um ano, preciso cruzar o oceano”, afirmou. “Chegou o Osmar Santos, que perdeu os movimentos físicos, mas não os cívicos”, disse ele, interrompendo o discurso para anunciar o locutor esportivo vítima de um grave acidente automobilístico. Mais à frente, outro cartaz dizia: “Cansei de pagar os altos salários dos políticos.” Perguntei para a portadora da mensagem: “A senhora acha que todos os políticos ganham muito?” “Eles não ganham muito, mas só atrapalham o país”, justificou.

Outro cartaz dizia: “Cansei de pagar para o avião do presidente ser seguro e o meu não.” Ao lado, Lucci, uma “secretária aposentada”, disse que estava ali porque era contra “todo esse estado de coisas”. “O que, especificamente?”, perguntei. “Ao Lula, ao PT à CUT...” Indaguei: “A senhora acha que está ajudando a melhorar o país participando desta manifestação?” “Uma ajuda nunca é demais”, respondeu ela. Do outro lado, a fisioterapeuta Luciana Leme e o marido, cirurgião, disseram que vieram da cidade de São Sebastião, litoral paulista, para a manifestação. “Viemos protestar contra a corrupção, a bala perdida e o crime organizado”, explicou Luciana.

Presidente da OAB é ligado aos tucanos

À essa altura, o palco já estava tomado por artistas, apresentadores de televisão, cantores e um mar de ternos escuros. No corredor que dava acesso ao local, câmaras e microfones dominavam a paisagem. Ouvi alguém dizer: “Os tucanos realmente conseguem mobilizar a imprensa.” Era um casal, que observava a cena com atenção. Pedi uma breve entrevista. “Não posso”, disse ele. Falei que tinha ouvido a frase sobre os tucanos e me apresentei como jornalista do Portal Vermelho. Eles riram e se dispuseram a falar desde que não fossem identificados.

Disseram que eram jornalistas e estavam ali para ver se havia público e ouvir o teor dos discursos. “Este evento é da elite, que só quer benefício para ela. Eles não estão preocupados com o povo. Preocupação social não existe para essa elite”, disse ele. Perguntei se a manifestação era uma iniciativa tucana, ele respondeu: “Claro. O presidente da OAB é ligado aos tucanos, todo mundo sabe, por isso toda a imprensa veio para cá.” O casal logo pediu licença para se retirar dizendo que não queria engrossar o número de manifestantes mobilizados pela elite.

O povo está representado aqui?

Em volta do palco, uma multidão de seguranças e moças vestindo camiseta preta com a inscrição “Cansei” dominava a cena. Perguntei para uma delas qual era a sua função ali. “Somos funcionárias do Dória (João Dória Jr, um dos líderes do grupo), mas a gente é instruída a dizer que somos voluntárias”, disse ela, reduzindo a altura da voz. Ao lado, uma mulher dava entrevista falando alto e gesticulando muito. “Cansei deste governo irresponsável e de pagar 54% de imposto em cascata”, esbravejou.

Me aproximei e perguntei: “A senhora acha que este ato é contra o governo?” “Não é contra o governo, mas é para cobrar do Lula responsabilidade com o povo”, disse ela, que se identificou como Sandra Freitas, advogada. “O povo está representado aqui?”, perguntei. “Não, mas a crise é tão brava que chegou aos pés da elite”, respondeu. “Então o ato é da elite”, emendei. “É da elite, mas a crise também chegou aos pés do pobre. A crise é tão brava que os protestos começaram pela elite”, teorizou.

Voz do palco pede “fora, Lula”

Na passarela que dava acesso ao palco, Ivete Sangalo falava com uma jovem repórter de rádio, que depois da entrevista anunciou para os ouvintes que uma multidão demonstrava ''sua indignação na Praça da Sé.” Para todos os lados, circunspectos senhores de terno acompanhavam a agitação em silêncio. Conversei com alguns e todos repetiam o discurso padrão da manifestação. Um deles disse que Lula era incompetente porque não aproveitou o bom momento da economia mundial — como fizeram a China e a Índia. “Agora a crise chegou e eu quero ver como fica”, disse.

No palco, Luiz Flávio Borges D'Urso agradecia aos “cinco mil presentes” — haviam no máximo duas mil pessoas — e repetia com ênfase que a manifestação não era contra o governo, mas “a favor do Brasil”. Às 13h, todos fizeram um minuto de silêncio. Às 13h15min, depois do culto ecumênico, Agnaldo Rayol cantou o hino nacional, terminando com um “il” de Brasil trinado e longo. Uma voz saiu do palco: “Fora, Lula!” À frente, a palavra de ordem ressoou.

Para tentar encobrir, D’urso gritava no microfone: “Viva o Brasil!” Na passarela de acesso ao palco, o tumulto voltou a se instalar. Eram os artistas deixando o local. À frente, um sujeito vestido de palhaço mostrava um cartaz com seu endereço no Orkut e seu nome: Brasilino da Silva. “Você tem esperança de que esse pessoal te contrate?”, perguntei. Ele fez sinal que não podia falar.

Popular manda Agnaldo Rayol descansar

Vi um tumulto que se aproximava de mim. Eram seguranças empurrando os jornalistas que cercavam o ator Paulo Vilhena. Por sorte, fiquei cara a cara com ele. “Você acha que este ato é contra o governo Lula?”, perguntei. Ele balançou a cabeça e hesitou. “Acho que não. Eu não sou”, disse. “Você não viu manifestações contra Lula?”, insisti. “Vi, mas eu não concordo com isso”, respondeu. Atrás dele, Agnaldo Rayol falava com os jornalistas quando uma voz alta surgiu do meio de uma pequena aglomeração de populares, de aparência totalmente distinta dos manifestantes e isolada pelos seguranças em cima de um canteiro elevado e afastado: “Está cansado, Rayol? Vai descansar!”

Algumas pessoas vestindo uma camiseta com a inscrição lembrando os mortos na tragédia do vôo da TAM protestavam contra os organizadores do ato, que proibiram a sua presença no palco para dar lugar aos artistas. Vera Lúcia Lopes, uma senhora de 67 anos, erguia solitária uma camiseta com a foto de um jovem e o nome “Cecel”. Era Marcel, de 20 anos, seu neto, assassinado no começo deste ano dentro do seu carro durante um assalto na Avenida Sapopemba. Chorando, ela disse que veio só porque a família estava trabalhando. “Alguém filmou ou entrevistou a senhora?”, perguntei. “Não, só tiraram foto”, respondeu.

Crescimento do setor de construção civil

Uma parte da trupe de animadores do ato se dirigiu ao auditório da OAB-SP, onde D’urso daria uma entrevista coletiva. No caminho, cercado por grades e seguranças, populares observavam a passagem do cortejo. Ouvi uma senhora dizer que aquilo era um ato dos “gravatas”. Era Aparecida, modelista aposentada, para quem aqueles que vaiaram Lula deveriam “ter vergonha na cara”. “Eles estão mesmo é pensando nas eleições”, disse ela. Ao seu lado, um grupo de Curitiba, que estava passando férias em São Paulo, concordou.

Suzane Martins disse que era empresária do ramo da construção civil e pediu para eu ver como o Brasil estava melhorando com Lula na Presidência analisando o crescimento do setor. “Eles querem derrubar o governo”, afirmou. Ao seu lado, o casal Nelson e Otília concordou. “É um ato contra Lula. Vaiaram o presidente várias vezes”, disse Nelson indignado. Na entrada da sede da OAB-SP, o deputado federal Vadão Gomes (PMDB-SP) disse que o ato não era contra Lula. “E o senhor, é contra Lula?” perguntei. “Sou a favor de Jesus Cristo”, desconversou.

O auditório da OAB-SP ficou tomado por jornalistas. Na mesa, além de D’urso estavam o ator Paulo Vilhena, o nadador Fernando Sherer, João Dória Jr e João Baptista Oliveira. D’urso fez um rápido balanço da manifestação. Elogiou a imprensa pela divulgação do evento, os artistas, desportistas, taxistas, trabalhadores e “todos” que estiveram no “solo sagrado da Praça da Sé” para “um ato cívico”. Mais uma vez, ele repetiu insistentemente que o ato era “a favor do Brasil” e não contra “quem quer que seja”. Sobre o “fora, Lula”, ele disse que não ouviu nada. “Pode ser coisa isolada, mas não é do movimento”, afirmou.

Descompasso entre líderes e manifestantes

Perguntei se ele tinha expectativa de contar com a participação no movimento de outras organizações da sociedade. Ele disse que sim e que estava com “vários pedidos no bolso que acabaram de chegar”. Um sujeito que se identificou como Roberto e presidente da “associação dos bacharéis de direito” pegou carona na minha pergunta para declarar seu apoio ao movimento. Depois da entrevista, fui falar com ele. Ao saber que eu era do Vermelho, pediu desculpa e disse que não falava com veículos de esquerda. “Você sabe, existem radicais em todo lugar e já fui chamado de fascista”, justificou.

Sobre o fato de o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, não abrir as portas da catedral da Sé para a manifestação, D’urso disse que foi a “mão de Deus” que levou o ato para a Praça da Sé, onde “todos puderam participar”. Quando um jornalista perguntou sobre os custos da manifestação, ele disse que ninguém estava ali por dinheiro, mas por um ideal. Durante toda a entrevista, ele se esforçou para explicar o descompasso entre o que os líderes diziam e os pronunciamentos dos participantes contra o governo Lula.

D’urso finalizou a entrevista dizendo que dentro de 15 dias falará com o ministro da Justiça e que a partir dali não havia mais motivo para críticas ao movimento. “Críticas são coisa do passado. Não há mais sombras para alguém dizer que somos contra o governo Lula, que somos golpistas. Quem disser isso, por óbvio está a favor da corrupção, da criança abandonada e da insegurança. Defendemos que a mudança deve se dar de forma ordeira”, finalizou.

Fala do presidente Lula tem peso maior

Na saída, João Dória Jr falou com alguns jornalistas. Ao contrário de D’urso, ele disse que ouviu muito bem o “fora, Lula”. “D’urso saiu com os artistas, por isso não ouviu”, justificou. Perguntei se o ato era contra o governo Lula e ele disse que não porque seu pai foi cassado pelo regime militar. “Vivi com ele o exílio na França. Pouca gente sabe disso”, afirmou. Perguntei também se a manifestação não lembraria a “Marcha com Deus pela Família e a Liberdade”. “O Cansei não é golpista”, respondeu. “O senhor está cansado de que, exatamente?”, indaguei. “Do caos aéreo, por exemplo. Cobro do governo respeito aos passageiros. Nunca cansei do governo”, disse.

Perguntei também se a declaração preconceituosa de Paulo Zottolo, presidente da sucursal brasileira da multinacional holandesa Philips, sobre o Estado do Piauí, não comprometia a credibilidade do movimento. Ele disse que todas as pessoas deveriam ser tolerantes. “A intolerância começa pelas autoridades”, justificou. “O senhor acha o Lula intolerante?”, perguntei. “Em alguns momentos ele não é tolerante”, respondeu, com fisionomia nervosa. “Quando tem uma manifestação contra o governo, por exemplo, às vezes ele reclama”, emendou. “Mas o senhor não acha que ele tem o direito de manifestar a sua opinião?”, insisti. Mais nervoso ainda, Dória Jr respondeu: “Mas ele é presidente, sua fala tem um peso muito maior.”

Alguém precisa trabalhar neste país

Perguntei ainda a sua opinião sobre a decisão do arcebispo dom Odílio Scherer de não permitir o ato na catedral. “É uma situação estranha, porque fiz passeata na minha juventude e nunca tive notícia de proibição deste tipo. Foi bom, porque ele levou o ato para a Praça da Sé, onde coube mais gente. Acho que ele deveria entender que o ato não era político, não tinha bandeira de partidos e nem manifestações a favor ou contra este ou aquele candidato”, falou.

Na saída para a rua, todos foram escoltados por seguranças particulares. Ao lado, uma vistosa viatura da empresa “Homens de Preto” esperava a passagem. “Esse Dória tem dinheiro para caramba”, comentou um jornalista ao meu lado. As escadarias da catedral da Sé já estavam ocupadas por outra manifestação. Eram mulheres e policiais aposentados protestando contra a degradação dos serviços do setor e os baixos salários. “Serra: exterminador de policiais paulistas”, dizia um cartaz.

Mais adiante, na Praça Ramos de Azevedo, os metroviários começavam a chegar para uma manifestação também contra Serra. Dei mais alguns passos e uma jovem me estendeu a mão perguntando: “Tudo bem, meu jovem? Estava na manifestação do Cansei?” Era uma daquelas meninas que ganham a vida desempenhando um papel degradante a fim de arrastar clientes para as financeiras. Perguntei: “E você, foi na manifestação do Cansei?”. “Não, alguém precisa trabalhar neste país”, respondeu.
*Osvaldo Bertolino, Jornalista
Publicado originalmente no Portal vermelho

20 agosto 2007

Presidente "Cara-de-pau" da Philips do Brasil

Por Luiz Carlos Azenha

Alguém precisa avisar ao presidente da Philips (do Brasil?) que não existe movimento social apolítico.

Toda manifestação é política.

Um movimento sem proposta não é um movimento.

O presidente da Philips é um dos idealizadores do movimento sem causa, o Cansei!
Se a primeira manifestação do movimento Cansei será no cemitério de Congonhas, o Paulo Zottolo precisa explicar qual é o motivo de ter escolhido o lugar.

É para se manifestar contra a pista, contra os pilotos, contra a TAM, contra a Airbus ou contra o governo Lula?

Ora, se o movimento não é a favor de nada, nem contra nada, não faz sentido existir. O Paulo Zottolo diz que "os ricos não são menos brasileiros que pobres".Isso a gente já sabe há cinco séculos.

A gente também sabe que os ricos se acham MAIS brasileiros que os pobres.E, na prática, são mais brasileiros que os pobres.

Isso é um fato.

Basta descobrir quem ganha mais ações na Justiça: o Zé Pereira ou a Philips do Brasil? Basta descobrir quem pena mais com a falta de transporte público: a Gilmara Cerqueira ou o Paulo Zottolo?

Se o movimento Cansei é de fato apartidário e quer de fato prestar um serviço à maioria dos brasileiros, deveria fazer uma manifestação de repúdio à falta de ônibus em Taboão da Serra.

O Paulo Zottolo acha que a gente é idiota.

Ele pergunta: "Ou será que quanto mais pobre eu for mais brasileiro eu sou?".
Resposta: "É lógico que não, estúpido. Quanto mais pobre você for, menos brasileiro você é".

"Não estou aqui para derrubar o governo", diz o presidente da Philips (do Brasil?). Pretensioso o doutor.

Ele acha mesmo que poderia derrubar o governo? Ele quer APENAS "derrubar esses conceitos de direita-esquerda, pobre-rico, de elite branca, de elite de Campos do Jordão, de movimento Oscar Freire".

Entendi: o doutor Paulo Zottolo quer, de uma penada só, acabar com a política.E depois reclama que nós é que queremos cercear o direito dele de se manifestar.

Seus direitos nunca foram cerceados no Brasil, doutor.

Nunca houve no Brasil um só golpe político dos pobres contra os ricos.

Já houve vários movimentos "apolíticos" em que os ricos usaram os pobres como massa de manobra para atingir seus objetivos.

Ou o doutor Zottolo faltou à aula de História?
O Instituto Brasileiro Ação Democrática (IBAD) e o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES), que tramaram o golpe de 1964, também eram "apartidários" na superfície e contavam com o apoio da mídia golpista, de agências de publicidade e de empresas multinacionais.

Todos se diziam "imparciais" , todos se diziam "cerceados", todos tinham "medo".

"Medo" alimentado pelo terror tocado pela mídia "imparcial", inclusive com notícias fabricadas - uma delas, que saiu no Globo, dava conta de planos para a implantação de um gabinete comunista no Brasil.

O doutor Paulo Zottolo deveria pedir ao governador José Serra que, por decreto, acabasse com a concentração de renda no Brasil, além de derrubar os preços da Oscar Freire e promover excursões populares a Campos do Jordão.

Francamente, como é que o doutor Paulo Zottolo chegou à presidência da Philips (do Brasil?) com esse tipo de visão da sociedade brasileira?

Alguém diga a ele, por favor, que o Brasil tem a maior concentração de renda do mundo e que não vai ser um movimento "apolítico" que vai acabar com isso.

Alguém explique a ele que a falta de educação, de saúde, de dentes, de emprego e de transporte público do brasileiro estão diretamente relacionadas a essa concentração de renda.

Alguém, por favor, peça a ele para inventar um motivo para o Movimento sem Causa.

Francamente, cansei da Philips.

Meu movimento será individual e politizado.

Não compro mais produtos da Philips.

Peço aos talentosos blogueiros do SIVUCA que produzam um símbolo para minha campanha de boicote à Philips.

A partir de agora aqui em casa só entram produtos da Sony e da Toshiba.Vou jogar fora uma TV meia-boca da Philips que estava encostada aqui em casa.

Philips, go home!Onde é o home da Philips?

Sei lá.

Só sei que não quero viver no mesmo mundo "imaginário" do doutor Paulo Zottolo, que nunca fez compras na Oscar Freire.Duvido que tenha sido por falta de dinheiro

Ahh tá!! Agora entendi!!



O ex-governador Geraldo réune na noite de casamento de sua filha as cansadas Hebe Camargo, Ana Maria e Regina Duarte.

17 agosto 2007

Projeto da sede da UNE é de Oscar Niemeyer

Veja o video da reunião de Oscar Niemeyer com representantes da UNE


CUT denuncia líder do ''Cansei'' por ingerência política

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) formalizou nesta quarta-feira (15) denúncia contra ingerência política da Philips no Brasil. O presidente da empresa, Paulo Zottolo, é um dos principais líderes do ''Cansei''. O documento assinado pelo presidente da CUT, Artur Henrique, pelo secretário-geral, Quintino Severo, e pelo secretário de Relações Internacionais, João Felício, foi protocolado no Ponto de Contato Nacional (PCN) brasileiro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Brasília, e também na Holanda, sede da multinacional.

A denúncia foi motivada por anúncio publicado no último dia 27, veiculado em meia página pelos principais jornais do país, em que a empresa conclamava seus funcionários e a população em geral a participar de um ato de protesto com objetivo político-partidário. É a Philips enganjada té o último fio do cabelo no Movimento pelo Direito dos Brasileiros, vulgo ''Cansei'', que nesta sexta-feira (17).

Esta atitude da Philips desrespeita a “Declaração sobre o Investimento Internacional e as Empresas Multinacionais”, diretrizes formuladas pela OCDE que disciplina as atividades das multinacionais em outros países. Em seu item 11, (em II–Políticas Gerais), o documento assim define o comportamento das multinacionais nas políticas dos países onde estão instaladas: ''abster-se de qualquer ingerência em atividades políticas locais''. Leia a íntegra do documento.


OCDE

Fundada em 1948 pelos países do Hemisfério Norte, com o nome de Organização para Cooperação Econômica Européia, nasceu com o objetivo de reconstruir a Europa arrasada pela 2a Guerra. Em 1961, passou a ter a denominação atual –OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) – quando adotou a resolução de impedir a interferência direta das multinacionais nas políticas internas da América Latina, após os sucessivos golpes militares na região apoiados por grandes grupos empresariais. Posteriormente à derrubada de Allende, no Chile, a OCDE, constrangida, elaborou em 1975 o documento “Declaração sobre o Investimento Internacional e as Empresas Multinacionais”.


O documento da OCDE não impede, no entanto, que a interferência se dê nos bastidores. Seu item 11 recomenda algo que poderia ser comparado a um código de postura, logo, quebrá-lo, como no caso da Philips do Brasil, é algo gravíssimo porque demonstra um total menosprezo da empresa em questão às regras básicas. Se a OCDE der visibilidade à denúncia, a principal punição à multinacional pode ser um arranhão na sua imagem – consumidores mais politizados podem passar a rejeitar seus produtos, por exemplo.

''Especialmente na Europa, onde fica a sede da Philips, a população costuma se posicionar contra esses desmandos'', comenta Nelson Canesin, assessor da Secretaria de Relações Internacionais da CUT.

14 agosto 2007

Nada a Declarar

Retrato da elite brasileira através de um artista em estado crítico.
Curta do diretor Gustavo Acioli.

Click no link e assistam

http://www.portacurtas.com.br/filme.asp?COD=1907#

O Cansei já cansou

Por Fernando Costa

Parece que o "Cansei" não comoveu setores da mídia e da sociedade, o fato de não haver políticos de alta graduação, e tampouco intelectuais que se prestem a participar de um movimento pouco orgânico e com prazo de validade, faz com que estes setores não se concentrem em jogar peso político efetivo no movimento, liderado pelo empresário e promotor de eventos João Dória Jr. Este que, nos últimos dias se reuniu com inúmeros políticos do PSDB, em defesa do movimento. “Não somos oposição. Somos pelo resgate da solidariedade. O movimento está ultrapassando fronteiras e se expandindo por toda a sociedade”, disse Dória sobre o “Cansei”.

A prova do pouco apoio, inclusive na oposição, se resume ao comentário do ex-governador paulista Cláudio Lembo (DEM), que afirmou: “Deve ter soprado de Campos de Jordão, meca fria da breguice endinheirada de São Paulo, os novos ventos da campanha “Cansei”, capitaneada pela camada superior da “elite branca” sulista. Empresários e mauricinhos paulistas, acostumados a restaurantes na Rua Amauri e Vila Nova Conceição, com suas adegas climatizadas, contas surreais e garçons servis, finalmente se dizem cansados da “impunidade”, do “descaso”, das “balas perdidas”. O ex-governador finaliza apontando que o Cansei é ridículo porque a burguesia paulista é ridícula.

Alguns (como eu) classificam o Cansei como uma movimentação que resgata o clima golpista de 64. São setores da elite paulistana que historicamente deram as costas ao Brasil. Exemplo que o foco do movimento é o desgaste do governo Lula é a pauta de reivindicações em que não cabem os desmandos no setor de segurança pública paulista, a situação da educação pública, a greve dos estudantes da USP, o buraco do metrô e o superfaturamento das obras do CDHU.

Apesar da fraqueza do movimento, vale a pena aprofundar um pouco mais a reflexão para entender melhor os acontecimentos: o “Cansei” é fruto da insatisfação da elite e de parte das classes médias com o governo: os mais ricos se irritam porque perdem espaço na agenda do governo federal, logo eles que sempre foram privilegiados. A revolta deste pessoal com o presidente Lula é ainda maior porque percebem que o governo é mais popular, tem um programa de inclusão bem mais arrojado que o de FHC, e está dando certo no campo econômico. Em outras palavras, os sucessos do governo só fazem deixar a classe alta e média burguesia ainda mais irritadas com o presidente-operário e seus ministros.


Tudo somado, a verdade é que a insatisfação dos ricaços, e dos que almejam chegar lá, existe desde o primeiro dia do governo Lula, mas estava latente. A crise aérea afetou diretamente esta turma, de forma que a popularidade do presidente neste segmento despencou, como atesta a pesquisa Datafolha. No povão, nem sinal de mudança – a turma deve estar achando até divertido ver o andar de cima passando por alguns apertos. De fato, “a dor da gente não sai no jornal”, reza o velho ditado: não há uma única matéria sobre “crise terrestre”, digamos assim, que afeta os pobres dia sim e outro também. Lula governa para essa gente, daí os índices de popularidade se manterem inalterados.

Vai ser assim até o fim do mandato: pobres de um lado, ricos de outro. Não é venezuelização porque Lula não é Chávez, mas, ao final, teremos um país dividido no que toca à avaliação do governo federal. Ao contrário do que muita gente diz por aí, eu avalio que isto é bom e deixa a política brasileira melhor e mais transparente, porque cada camada social terá a representação que lhe cabe.

Educação: Financiamento do transporte escolar terá R$ 600 milhões





O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta terça-feira (14) o programa Caminho da Escola, que visa renovar, ampliar e padronizar a frota de veículos de transporte escolar para estudantes da educação básica de escolas públicas da zona rural.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem uma linha de crédito de R$ 300 milhões para estados, municípios e o Distrito Federal financiarem a compra de 2,5 mil veículos zero-quilômetro e embarcações. Os recursos deverão ser aplicados até 2009. A expectativa é que o programa atenda 4,5 mil municípios.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, explicou que a compra dos veículos deve ser por meio de pregão eletrônico, com isenção de impostos. “Da combinação da escala da compra com a desoneração tributária os preços [dos veículos] tenderão a cair”, disse. O responsável pelo pregão será o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O prazo do financiamento é de seis anos, com carência de seis meses e taxa de juros de 4% ao ano. Só pode participar do programa quem aderir ao FNDE.

Foi lançado também o Programa de Financiamento à Aquisição de Veículos de Transporte Escolar (Pró-Escolar) voltado para empresas do setor privado e pessoas físicas que realizam atividades de transporte escolar rural e urbano das redes públicas estaduais e municipais. O programa tem uma linha de crédito de R$ 300 milhões.

“Se investirmos R$ 600 milhões, vamos estabelecer um fluxo de reposição da frota em que as crianças nunca mais terão que andar em outro tipo de veículo. O presidente [Lula] tem dito que se houver uma forte demanda de estados e municípios, nós poderemos já no ano que vem aumentar as linhas de financiamento”, destacou Haddad.

A Carne é fraca

Trecho do Video produzido pelo Instituno Nina Rosa


Os ovos podres das elites do "Cansei"

Laerte Braga

José Bonifácio Filho, o Boninho, diretor do prostíbulo global BBB (Big Brother Brasil) confessou ao jornal EXTRA que gosta de atirar ovos podres nas pessoas que passam nas ruas e que "já acertei muitos ovos em muitas vagabundas em São Paulo".

Um vídeo com as declarações de Boninho e outras cabeças coroadas das elites do País, dentre eles Leonel Brizola Neto (deve ser um equívoco, falo do nome, não do neto, o avô era decente, não andava em companhia de globais), e a "socialite Narcisa Tamborindeguy, está no Youtube, com o título de "Ovos 2".

A turma, quase todos, faz parte do movimento CANSEI. Boninho é um dos diretores mais importantes da GLOBO e a reação da rede foi partir para cima do jornal e não dos pobres e infelizes atiradores de ovos, vítimas do tédio e que comete, em essência, o mesmo crime que os estudantes do condomínio fechado que agrediram e roubaram uma trabalhadora na Barra da Tijuca.

Todos vestem DASLU, adoram bolsas da Louis Vuiton, freqüentam colunas sociais e contribuem para obras de caridade do tipo "CRIANÇA ESPERANÇA", aquela que permite à GLOBO mostrar meia dúzia de "empreendimentos caritativos", descontando uma nota grossa do imposto de renda e permitindo faturamento sólido e tranqüilo, em nome da livre iniciativa, às empresas de telefonia fixa e celular do Brasil.

Já Lula, é semi-analfabeto, não tem um dedo, fala um monte de "bobagens" e ainda inventou esse negócio de "bolsa família" para que as pessoas famintas possam comer. Diminuiu a diferença entre pobres e ricos nos seus quase cinco anos de governo, apesar de muitas besteiras, essas sem aspas.

Esse tipo de gente não tolera isso. Como é que o "coronel" vai controlar o eleitor se não puder mantê-lo faminto, analfabeto e assim dócil e servil?

As declarações de Boninho são revoltantes, mas são o retrato das elites brasileiras. Não prestam. A GLOBO é o principal porta voz dessa gente. Vende o mundo da ilusão e da fantasia em seus programas, o mundo de mentira no JORNAL NACIONAL e ainda se dá ao luxo de exibir seu prostíbulo uma vez por ano em canal aberto e com direito a voiaeurismo 24 horas por dia em canal fechado.

Numa das passeatas do CANSEI, média de 200 pessoas por capital, além evidente dos empregados convocados debaixo de ameaças, dos carregadores de liteiras das "dondocas enfadadas", um cartaz "somos a elite que presta". O reconhecimento implícito que não prestam ou que pelo menos existem as que não prestam mesmo. Prestam menos.

O ser cada vez mais transformado em mercadoria dessa gente. De Boninhos da vida. A socialite Narcisa Tamborindeguy, filha de empresário e de uma ex-deputada, afirmou que às vezes joga "rosas". Isso quando está na fase light. Nas fases críticas do tédio e da afirmação de que é elite e pode tudo impunemente, joga ovos, baldes d’água e vai por aí afora.

Um dos "atletas", no esporte cheira/cheira, disse que um dia jogou uma vassoura para levar as bruxas de sua casa.

É o modelo que a GLOBO vende.

E a Polícia? Falo do Rio, onde o fato aconteceu e de São Paulo.

Ocupa o Morro do Alemão, mata traficantes e inocentes. Pega uma grana por baixo do pano. É denunciada no exterior por violência e corrupção e a turma que consome continua tranqüila, impávida e atirando ovos podres em pessoas que passam e que chamam de "vagabundas".

Segundo a receita de Boninho é só injetar éter nos ovos que em três dias ficam podres e em condições de serem atirados nas/nos vagabundas/os.

Devem se achar mais civilizados que Nero que soltava os leões na arena do Coliseu e deve ser por isso, associação, que o partido da ditadura militar chamava-se ARENA. Hoje dividiu-se em PSDB, DEMOCRATAS, PTB, a turma que CANSOU.

O vídeo é um repulsivo exemplo do caráter dos caras que formam a opinião no País na telinha nossa de cada dia.

Não vai demorar a aparecer alguém para dizer que isso é apenas brincadeira de criança e coisa sem maior importância.

Como os caras que agrediram a moça na Barra e "meu filho é um estudante não pode estar preso no meio dessa gente que é criminosa". Pode não. Tem que ser em jaula, Isso é animalesco, não é humano.

Veja o vídeo:


Lula, o imperdoável

Acredite apenas no que seus olhos vêem e seus ouvidos
Ouvem!
Também não acredite no que seus olhos vêem e seus
Ouvidos ouvem!
Saiba também que não crer algo significa algo crer!

Bertold Brecht

Muito se escreveu sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio da Silva e a derrota dos chamados "formadores de opinião". Sem dúvida, como já tive oportunidade de destacar, a vitória eleitoral de Lula pôs a nocaute o campo jornalístico brasileiro, seus estatutos de verdade e a crença nos dispositivos que regulam a relação entre os responsáveis pela produção e difusão do noticiário. Uma derrota acachapante para um campo que se notabiliza por considerar que cabe exclusivamente a ele, como suporte do capital, monopolizar o uso da razão pública. Um aparelho ideológico cioso de sua centralidade.

Em outras palavras, o poder midiático se constitui não mais como mediador, mas como incorporação acabada da própria opinião pública. Se a representação parlamentar de oposição é incapaz de estabelecer uma dinâmica de competição de políticas públicas de longo prazo, cabe ao monopólio informativo assumir o papel de único partido de direita com projeto definido: uma estratégia bem articulada que reitere o caráter autoritário da estrutura social brasileira. E é a isso que tem se dedicado, com afinco, a grande imprensa brasileira em colunas, editoriais e artiguetes.
A forma como o discurso noticioso se organiza e se reproduz, ao tratar do acidente com o Airbus A-320 da TAM, não deixa qualquer dúvida quanto aos objetivos. Trata-se de deslegitimar Lula não tanto pelo que ele faz, mas pelo que representa: uma ruptura com a concepção clássica de cidadania como privilégio de classe. Ou na definição precisa de Marilena Chauí “uma concessão regulada e periódica da classe dominante às demais classes sociais que poderá ser-lhes retirada quando os dominantes assim o decidirem". É disso que se trata. É o que explica um comportamento que talvez só encontre paralelo nos episódios que levaram Getúlio Vargas ao suicídio, em 1954. Ou ao golpe militar, 10 anos depois.

Redações e ilhas de edição se transformaram em trincheiras do udenismo redivivo.Articulistas, colunistas e jornalistas-blogueiros convertem-se em "briosos" quadros de um "parlamento sem voto". Imaginam-se tutores da opinião, senhores da informação. Sabem que mais que mais que o tucanato, foi o “Partido Mídia” o grande derrotado em 2006, e não pouparão esforços para a desforra.

O facciosimo, o ódio de classe e a índole golpista desses respeitáveis senhores e senhoras da mais "conceituadas" publicações não têm outro fim que não seja o da preservação da desigualdade, do mandonismo e de uma estrutura jurídica que, não definindo direitos, assegura privilégios. É preciso golpear a qualquer preço a constituição de uma efetiva esfera pública, valendo-se do discurso ideológico travestido de "opinião avalizada de especialistas em cidadania.". Disso dependem para continuar como atores políticos.

Lutam tanto pelo emprego quanto pela auto-representação.Precisam da anomia para se apresentar como fiadores da ordem. E pouco importa quão excludente ela seja.

Quando em editorial, a Folha de S.Paulo (2 de agosto de 2007) afirma que"não procede, tampouco, a acusação de golpismo. O "Fora Lula" ameaça tanto a democracia quanto o "Fora FHC", entoado pela militância petista, a ameaçava no passado -em nada. Nem se pode acatar o argumento, implícito nas críticas do governismo, de que a organização de protestos seja direito circunscrito às elites oriundas do sindicalismo", estamos diante de palavras vadias, argumentação falaciosa, sofisma barato. Não ocorreu ao editorialista lembrar que o “Fora FHC" foi abafado pela mesma imprensa que orquestra o “Fora Lula"? Uma palavra de ordem que aglutina as forças mais reacionárias do país em movimentos de clara inclinação desestabilizadora.

Outro articulista, dono de um conhecido blog, indaga nas páginas do Globo:"então me respondam: E quando Lula, assim do nada, cita o golpe militar de 64 e diz que ninguém mais do que ele é capaz de pôr gente na rua, o que isso significa?". A resposta é tão cristalina como água. Significa, prezado jornalista, o grande pavor da sua corporação. É ela quem teme as ruas. Sabe que são, por excelência, os espaços vitais para que o indivíduo, acomodado entre quatro paredes de sua casa, se emancipe do espetáculo e assuma a cidadania.

No universo da ficção é sabido que há atores que não funcionam em determinados personagens. O melhor cenário para o golpismo é a indolência do telespectador ante o enredo macabro de certas novelas. Quando expressões de desespero ocupam a dobra superior da primeira página do jornal da família Marinho, como na edição desta quinta-feira, 2 de agosto de 2007, estamos diante da folhetinização da dor a serviço de uma encomenda política.

É chegada a hora de ocupar as ruas e se solidarizar ao presidente da República: o “outro de classe”, e por isso imperdoável, que lançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC ), um projeto de investimento que precisa ser apagado da memória social a todo custo.É necessário esquecer que, após anos de pilhagem neoliberal, o país entrou em rota de crescimento sustentável, com o emprego formal batendo recordes sucessivos e inequívocos processos de redistribuição. Planejamento de longo prazo que a narrativa jornalística não discute por não suportar seu significado político.

Ocupar o espaço público é afirmar que o país já não comporta mais uma democracia sem povo e não tolerará a tentativa de reedição de retrocessos. Eis a nossa área de escape, nossa manobra decisiva contra projetos de amnésia social que têm por finalidade retomar o aparato estatal. Que as avenidas sejam repovoadas como áreas de ação democrática.

Bolsa Família impulsiona crescimento da economia alagoana

Os programas de transferência de renda do Governo Federal, em especial o Bolsa Família, estão mudando a face da economia alagoana, tradicionalmente baseada na extração da cana de açúcar e na pecuária. É isso que mostra o estudo realizado pelo professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles de Carvalho. Segundo o estudo, as políticas sociais e os programas de investimentos federais vêm criando um mercado interno e popular que está modificando a paisagem econômica de Estado.

O Bolsa Família atende em Alagoas cerca de 350 mil famílias - mais da metade da população. Ao todo, o programa libera cerca de R$ 240 milhões, por ano, ao Estado: "Mais de três vezes o valor que rende o corte de cana", compara. O professor calcula que, dos R$ 12 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) alagoano, cerca de R$ 4 bilhões venham das transferências diretas - ou seja, um quarto do PIB estadual.

O trabalho também aponta que há 40 meses, desde março de 2004, Alagoas bate recordes na pesquisa mensal do comércio feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados obtidos mostram que houve no Estado crescimento maior do que a média nacional, com taxas positivas e muito maiores que as médias brasileiras. Cícero observa que nesse período não aconteceu nenhum grande investimento local em infra-estrutura ou por parte de grandes empresas: "Como não existiu investimento, o impacto do Bolsa Família foi muito importante para estimular a economia local", analisa.

Em Alagoas, os recursos do Bolsa Família somam mais de R$ 22 milhões mensais. Levando em conta que cada família que recebe o recurso tem mais outros quatro membros, em média, mais de um milhão de pessoas beneficiam-se do programa todo mês. O dinheiro é utilizado principalmente na compra de alimentos, remédios, transporte e no varejo da construção civil. Mas os recursos vão basicamente para a comida: "É um programa importante porque atinge uma faixa pobre da população, muito mais pobre que os beneficiários do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), por exemplo. E tem uma capilaridade fantástica - vai da periferia da capital, Maceió, às localidades mais distantes do interior, as quais estão desprovidas de atividade econômica", explica Carvalho.

O valor do benefício Bolsa Família representa, na opinião do professor, um ganho de capacidade de compra extraordinário, corrigindo hoje uma histórica demanda de consumo reprimido. "O conjunto de programas do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), em especial o Bolsa Família, causou uma mudança imediata na dinâmica na economia alagoana. É um programa muito positivo", elogia o pesquisador. Como conseqüência dessa dinâmica, segundo ele, houve melhoria evidente na vida da população mais pobre e avanço nos setores produtivos voltados para segmentos populares, que atendem o público D e E: "Esses setores estão crescendo e dinamizam a economia das áreas pobres".

Para o professor Cícero Carvalho, há consenso entre as representações comerciais alagoanas, que consideram imprescindíveis a política de transferência de renda do Governo Federal e os programas sociais permanentes para o desenvolvimento do Estado. "Alagoas disputa o ranking da miséria com Piauí e Maranhão, mas percebe-se que o Bolsa Família vem mudando os índices do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no nordeste brasileiro. Tanto que os estudos do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) já mostram uma redução suave da distribuição da riqueza em Alagoas e no Nordeste. A curva deixou de crescer. Isso é motivo de comemoração. O melhor de tudo é que ela é decrescente. A explicação para isso são os programas federais".

Na visão do presidente do Conselho de Administração do Banco do Cidadão - uma instituição que opera com micro-crédito para empreendimentos populares - Pedro Verdino, o Bolsa Família é um programa importantíssimo que tem resolvido uma questão fundamental, que não pode esperar: a fome. Mas, em muitos casos, o benefício recebido não é utilizado exclusivamente na compra de alimentos: "Um número significativo de pessoas que financiamos, a maior parte beneficiários do Bolsa Família, geralmente é de empreendedores que utilizaram o valor recebido em negócios próprios, a partir do que sabiam fazer", diz Verdino.

De acordo com o integrante do Banco do Cidadão, a necessidade de resolver o problema da falta de emprego leva as pessoas a essa iniciativa. Cerca de 70% dos empreendimentos financiados pelo banco são investidos no comércio de produtos alimentícios ou correlatos, artesanato e corte e costura. "O Bolsa Família acaba sendo a oportunidade de buscar uma alternativa econômica para resolver o problema da exclusão econômica. Nosso objetivo é que essas pessoas, por meio do programa, invistam em atividades geradoras de renda.

Pedro dos Santos Felipe Neto, 30, é um dos beneficiários do Bolsa Família que já está no seu quarto empréstimo no Banco do Cidadão. Ele produz, artesanalmente, sabão em pedra caseiro para vender nos mercados do pequeno comércio de Maceió. Sua produção mensal é de 20 mil unidades. Com o primeiro empréstimo que fez - R$ 80 - proveniente do recurso recebido pelo Bolsa Família, o comerciante pôde estabilizar seu negócio e crescer cerca de 20%. Depois, foi adquirindo novos empréstimos e aumentou sua produção: "O Bolsa Família ajudou porque, antes, vivia muito apertado. Agora a expectativa é de ampliação do negócio. Futuramente, quero comprar um carro para, assim, diminuir ainda mais as despesas", conta.

Na análise do professor Cícero Péricles de Carvalho, o cenário alagoano - e brasileiro - vem mudando. "Hoje, o Nordeste é a bola da vez da economia brasileira: cresce a taxas maiores que as taxas nacionais, devido ao consumo reprimido. A região inteira cresceu, ainda assim, os maiores ganhadores são os segmentos C, D e E, historicamente os mais necessitados", finaliza Carvalho.

Marcos Jorge/Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

13 agosto 2007

Salvemos a escola pública

Escrito por Frei Betto


Antes de ingressar na faculdade, em 1964, estudei oito anos em escola pública. Como ocorre agora com as universidades, em geral elas superavam em qualidade os colégios particulares. Além da inigualável vantagem de serem gratuitas.

Hoje, nossas escolas públicas de ensino básico estão sucateadas. Foram deterioradas pela má administração pública, a corrupção, o descaso para com alunos e professores. Há, no Brasil, 55 mil escolas públicas. Segundo a OCDE, apenas 0,2%, ou seja, 160 alcançam um índice de desempenho considerado médio.

Adotam-se no Brasil, para classificar nossas escolas de ensino básico, o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), feito por amostragem, e o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que dá nota de 0 a 10 às instituições de ensino, tendo por critério o desempenho dos alunos na Prova Brasil, exame aplicado a todos os alunos de 4ª. e 8ª. séries.

Em todo o país, apenas 160 escolas mereceram nota 6 ou acima. Nas séries iniciais do ensino fundamental nossa nota é 3,8. Os cursos de 5a a 8a séries ganharam nota 3,5. No ensino médio, 3,4. A meta do MEC, estimulado pela campanha “Compromisso Todos pela Educação”, é que a maioria de nossas escolas atinja a nota 6 em 2021. O Ideb atual da Holanda é 7; do Reino Unido, 6,5. Há no Brasil colégios, raros, que receberam nota 8,5, como a Escola Professora Guiomar Gonçalves Neves, em Trajano de Morais (RJ). É a de melhor qualidade no país.

Será que daqui a 15 anos – véspera do bicentenário da independência do Brasil – alcançaremos a meta almejada? No estado do Rio, 20 mil crianças não freqüentam salas de aula por falta de professores. O índice nacional de reprovação é 11,9%. A distorção idade/série é 17,3%.

O que faz uma boa escola? Muitos fatores, entre os quais disciplina, ou seja, não tolerar atrasos de alunos; contar com professores efetivos e qualificados (mestrado, doutorado ou especialização) trabalhando em tempo integral; remunerar dignamente o corpo docente; aumentar a permanência do aluno na escola; contar com oficinas de música, teatro e artes plásticas; laboratórios de idiomas, ciências e informática; grêmio estudantil; salas de leitura e vídeo etc.

O MEC promete que o governo haverá de liberar, ainda este ano, R$ 30 milhões para as escolas urbanas, e R$ 66 milhões para as rurais. As 5 mil escolas com piores índices no Ideb terão direito, cada uma, a módicos R$ 6 mil para investirem em infra-estrutura, material pedagógico e apoio metodológico. Através de sistema de educação à distância – a Universidade Aberta do Brasil –, o MEC pretende qualificar 2 milhões de professores do ensino básico.

Recente pesquisa realizada pela Unesco, em parceria com o governo federal, comprovou que 82,4% dos alunos reprovados no ensino fundamental culpam a si mesmos pelo fracasso. A mesma pesquisa indica que a culpa não pode ser atribuída às crianças. Ela recai na falta de motivação dos professores, na péssima infra-estrutura das escolas e no fato de diretores e professores não darem importância à realidade pessoal e familiar do estudante.

Não se pode culpar uma criança de 10 anos pelo fracasso escolar. No entanto, se isso não fica claro para ela, se não se sente valorizada na escola e querida pelos professores, ficará com sentimento de derrota, o que pode revoltá-la ou levá-la ao desânimo precoce.

A maioria de nossos estudantes chega à 4ª. série com dificuldade de leitura e redação. Falta estímulo ao professor, muitas vezes submetido à carga excessiva de trabalho, sem condições de aprimorar sua qualificação e humilhado por salário irrisório.

Em fins de junho, o Banco Mundial divulgou o relatório “Jovens em situação de risco no Brasil”. As conclusões preocupam: nossos jovens entre 15 e 14 anos matam e morrem mais, iniciam a vida sexual cada vez mais cedo e são vulneráveis às drogas. Dados da Secretaria Nacional da Juventude mostram que, hoje, 9,5 milhões de brasileiros entre 15 e 29 anos não estudam e estão desempregados. Desses, 4,5 milhões não completaram o ensino fundamental. É entre estes que se inclui a maioria dos assassinos e dos assassinados.

O que fazer diante desse quadro aflitivo? Pressionar o poder público? Sim. Votar ano que vem em vereadores e prefeitos comprometidos com a prioridade Educação? Também. Mas por que não reunir as famílias de seu bairro ou comunidade e promover um mutirão para a melhoria das escolas públicas da região? Por que não assegurar instrução e/ou emprego a um ou dois desses 9,5 milhões de jovens vulneráveis ao narcotráfico?





Frei Betto é escritor, autor de “Alfabetto – autobiografia escolar” (Ática), entre outros livros

Movimento Cansei

Corinthians o Filme!!!

AFI - Especialistas votam em "Cidadão Kane" como o melhor de todos os tempos... pela segunda vez

Rosebud: o enigma de "Cidadão Kane"

No mínimo você já ouviu falar de "Cidadão Kane". Mas se já assistiu, Então ótimo. Pois fique sabendo que essa obra-prima dirigida por Orson Welles continua sendo o melhor filme da história nos EUA, de acordo com uma votação feita pelo American Film Institute. Continua porque essa é a segunda vez que "Cidadão Kane" assume o primeiro lugar da lista - que traz os 100 melhores de todos os tempos.

O filme é baseado na vida do empresário William Randolph Hearst, que chegou a processar o cineasta Welles, então com 25 anos de idade. Indicado em nove categorias do Oscar, incluindo melhor filme e direção, levou apenas o de roteiro (Welles e Herman J. Mankiewicz).

"Cem anos, Cem filmes, Décimo aniversário" é o nome da premição realizada pelo AFI. Críticos, historiadores e especialistas votaram para escolher os melhores filmes já realizados no cinema americano. Primeiro chegaram a 400 filmes e, destes, selecionaram os 100 mais importantes.

Logo atrás de "Cidadão Kane" aparece "O Poderoso Chefão", assinado por Francis Ford Coppola. O interessante é que o filme estava em terceiro lugar há uma década. E roubou a posição que pertencia a outro clássico, "Casablanca".

Aliás, a lista do AFI neste ano foi um verdadeiro sobe-e-desce. "Touro Indomável", de Martin Scorsese, antes ocupava o 20º posto e agora subiu para o quarto lugar da lista. "Um Corpo que Cai", de Alfred Hitchcock, saiu da 61ª para a nona posição. "Cantando na Chuva" conquistou o quinto lugar, "E o Vento Levou" o sexto, "Lawrence da Arábia" o sétimo e "A Lista de Schindler" o oitavo. "O Mágico de Oz" ficou em 10º lugar.

Como a mudança de várias posições chama atenção, o próprio AFI se encarregou de publicar uma explicação. De acordo com o Instituto, "o cinema americano reflete o momento atual do país e que algumas mudanças se devem ao mercado do DVD". A questão é que alguns clássicos, antes esquecidos, acabam sendo descobertos quando ganham a versão em DVD. Um exemplo dado pelo AFI é "Rastros de Ódio", estrelado por John Wayne, considerado um dos maiores clássicos do faroeste e um dos mais importantes na carreira do diretor John Ford. Como o filme ganhou uma edição especial em DVD, restaurada, ele subiu do posto número 96 para o 12º lugar.

Entre os filmes contemporâneos, os destaques são: "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel" (50º), "O Resgate do Soldado Ryan" (71º), "Titanic" (83º) e "O Sexto Sentido" (89º). Todos entrando pela primeira vez na lista dos 100 melhores.

--------------------------------------------------------------------------------

Saiu no Kibeloco

Ferreira Gullar




Todo poema é feito de ar
apenas:
a mão do poeta
não rasga a madeira
não fere
o metal
a pedra
não tinge de azul
os dedos
quando escreve manhã
ou brisa
ou blusa
de mulher.

O poema
é sem matéria palpável
tudo
o que há nele
é barulho
quando rumoreja
ao sopro da leitura.

João Gilberto



















João Gilberto nasceu a 10 de junho de 1931 em Juazeiro, na Bahia, em família de músicos amadores e ali, ainda adolescente, formou o conjunto Enamorados do Ritmo. Aos dezoito anos tornou-se crooner da Rádio Sociedade da Bahia, em Salvador, transferindo-se para o Rio de Janeiro em 1950, onde integrou o conjunto vocal Garotos da Lua, que atuava na Rádio Tupi, com quem gravou dois discos no ano seguinte. Iniciou depois carreira solo, gravando mais um disco e, logo após, integrou dois outros conjuntos, tendo também sua primeira composição gravada.

Metrô de São Paulo demite 61 funcionários após greve

A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) realizou nessa segunda-feira, 06, a demissão de 61 funcionários que participaram da greve ocorrida na semana passada. Com a justificativa de "baixo rendimento" desses funcionários - a maioria com mais de 15 anos de serviços prestados, sem nunca ter cometido nenhuma infração, e um histórico de lutas dentro da categoria - a Companhia atende pedido do governador do Estado, José Serra, e de seu secretário de transportes metropolitanos, José Luiz Portella Pereira, que durante a greve deram declarações na imprensa afirmando que os metroviários grevistas seriam punidos.

Em assembléia realizada na noite desta quarta-feira, 08, metroviários deliberaram pela suspensão imediata da realização de horas-extras e pela realização da chamada "operação padrão" (que consiste no estrito cumprimento dos procedimentos da empresa, sem a realização de nenhum tipo de "quebra galho" para resolver os problemas da falta de funcionários), como resposta às demissões e com o objetivo de expor à sociedade a precariedade das condições de trabalho impostas aos metroviários e o processo de sucateamento que a empresa vem sofrendo nos últimos anos, preparando terreno para a privatização.

12 agosto 2007

Cansamos do Cansei

Publicado no Blog do Mino Carta

Pergunto aos meus irônicos botões se os crentes prontos a comparecer ao culto ecumênico promovido no próximo dia 17 na catedral da Sé pelo movimento “Cansei” terão de se apresentar em trajes adequados. Respondem que talvez fosse aconselhável para os cavalheiros a roupa de um barão medieval, com direito a portarem espada. Para as damas, obviamente, bastaria ficar em sintonia, em um estilo e meio caminho entre a rainha da Dinamarca, mãe de Hamlet, e a megera domada. Mas não hesitaram em soletrar em coro, depois de formular suas sugestões: “Cansamos do Cansei”.

Lembranças do passado parte IX


Publicado no Jornal Olho Vivo





Jovens reforçam Campanha Fome Zero
Lourdes Dias


Os alimentos arrecadados serão doados para o Fundo Social de Solidariedade...
Membros do Art Jovem, um dos núcleos da Juventude do Partido dos Trabalhadores, darão continuidade à Campanha Fome Zero no domingo, dia 8, nos bairros Paraventi, vila São Jorge, Macedo e Maia, a partir das 10h. Constituído no dia 30 de novembro, o Art Jovem mobilizará toda a diretoria na arrecadação de alimentos não perecíveis e brinquedos. A coleta será encaminhada ao Fundo Social de Solidariedade que, por sua vez, repassará às famílias carentes do município.
Fernando Costa, coordenador geral do Art Jovem, disse que a campanha está voltada a duas frentes de trabalho. A primeira delas tem o objetivo de informar à juventude sobre a fome, a prioridade na sua redução e na sintonia do jovem com o atual momento do país. A segunda frente de trabalho será com a arrecadação de alimentos nas escolas e bairros. “Nossa meta é montar, aproximadamente, cem cestas básicas”, afirmou.
Segundo Costa, a entidade foi criada para amadurecer politicamente as discussões sobre problemas envolvendo a fome, a economia e a política do país. “Precisamos lutar pela qualidade na Educação, emprego para a juventude, qualificação profissional e outras prioridades ao jovem. Realizaremos plenárias nas escolas com apoio dos grêmios estudantis da cidade”, observou.
A entidade não tem finalidade assistencialista, mas quer ajudar de alguma forma. “Contamos com doações e apoio de alguns sindicatos, entre eles: dos Servidores Municipais, dos Condutores, da Construção Civil, Aeroviários, CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Afuse. Alguns vereadores também estão contribuindo com nosso trabalho”, afirmou Fábio Donizete Sinobre.
SHOW Como parte das ações do Art Jovem contra a Fome Zero, dia 13, a partir das 20h, haverá um show com bandas guarulhenses; a entrada será um quilo de alimento. Os coordenadores de Movimentos Sociais e Finanças, Renato Maciel Del Pozzo e Eduardo Avilez, respectivamente, informaram que já estão confirmados shows das bandas Reggalize, Dropex, Joahl Maré e Simbiose. O evento será realizado na avenida Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, 238, na vila Augusta. Mais informações: 208-0650 ou pelo e-mail artjovem.pt@bol. com.br.

TAM é eleita empresa do ano pela Editora Abril

A seguir, trecho de uma matéria publica na Folha de S. Paulo de hoje: “Após protagonizar o maior acidente aéreo do país, que levou à morte 199 pessoas no último dia 17, a TAM foi eleita a melhor empresa de transporte de 2006 pela revista Exame, publicação da editora Abril. A companhia foi agraciada com o prêmio Melhores e Maiores e teve seu fundador, o comandante Rolim Amaro, morto em 2001, homenageado. Segundo a organização do prêmio, a escolha é feita pela comparação de resultados de crescimento, rentabilidade, saúde financeira, investimentos, participação de mercado e produtividade por empregado.” Entenderam? De certa forma, coerente, né? Para as revistas da Abril o critério e esse: “crescimento, rentabilidade, saúde financeira, investimentos, participação de mercado e produtividade por empregado”. Ou seja: “ética, responsabilidade social, atendimento ao cliente, poucos índices de reclamação em órgãos do consumidor, respeito à legislação trabalhista, investimento em segurança (em se tratando de uma empresa área) etc, etc, etc, isso é tudo perfumaria. Bobagem. Na verdade as revistas da editora Abril e a TV Globo só são o espelho da mentalidade dessa turma. Eles querem que o mundo se lixe em nome do lucro. E para reproduzir essa mentalidade estúpida, infelizmente, contam com muitos recursos públicos e a boa vontade da turma que dá as cartas nesse setor do governo Lula. Ainda continuando no desafio do artigo de Ali Kamel: abra a Veja, a Exame etc. e anote a quantidade de publicidades do governo e de empresas do governo. Faça o mesmo com o Brasil de Fato, Fórum, Caros Amigos, Retratos do Brasil etc. Só fazendo esse exercício rápido você vai ver quem vive dos recursos públicos. E usam esse dinheiro para isso, para desancar os movimentos sociais e incensar capitalista incompetente sem escrúpulos

Lembranças do passado parte VIII

Política
Art Jovem articula apressar votação pelo passe livre
Lourdes Dias


Projeto do vereador José Carlos Dalan tramita pelas comissões da Câmara ...

A Art Jovem, entidade que representa a tendência dos estudantes ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), empenha-se no sentido de conseguir aprovar, ainda este ano, o projeto de lei 332/01, de autoria do vereador José Carlos Dalan. O projeto institui o passe livre para estudantes, extensivo para os alunos que freqüentam o curso de alfabetização de adultos.

O projeto, que tramita na Câmara Municipal, passou pelas comissões de Justiça e Redação, Finanças e Orçamento, e já está sendo analisado pelas comissões de Serviços Públicos e Educação, devendo ser encaminhado para deliberação e votação posteriormente. Em declarações anteriores, o vereador Dalan esperava que as comissões concluíssem as emendas necessárias ao projeto até o fim deste mês.


Os membros da Art Jovem, liderados por Fernando Costa, temem que se o projeto for encaminhado para votação no próximo ano não tenha respaldo, em função do período eleitoral. “Estamos com várias discussões nas escolas e a campanha está ganhando corpo. O projeto já foi discutido com alguns setores e o vereador Dalan está aberto às propostas de mudanças. É importante que a aprovação aconteça este ano. Por isso, precisamos pressionar por meio de passeatas e discussões com toda a sociedade estudantil”, afirma Costa.


Uma nova manifestação está programada para o dia 6 de novembro, a partir das 8h30, pelas principais ruas da região central, com concentração na praça Getúlio Vargas. De acordo com Costa, “com esta proposta do passe livre já realizamos duas passeatas, que juntas reuniram 1.800 estudantes. Para novembro, pensamos mobilizar cerca de 1.500 participantes. Além disso, programamos palestras nas escolas, pois ainda falta muita discussão”.


ACESSO A luta pela Universidade Pública também será tema da manifestação em novembro. Os membros da Art Jovem entendem que uma cidade com cerca de 1,2 milhão de habitantes precisa de uma universidade pública que dê acesso aos estudantes. “Guarulhos precisa ter uma extensão da USP e Unesp. Vamos cobrar isso do governo estadual. O Estado não pode instalar somente presídios e Febem em Guarulhos. A cidade precisa de mais investimentos em Educação”, alerta Costa.


METAS A manifestação tem por objetivo defender o passe livre, para alunos matriculados em estabelecimentos públicos e particulares de ensino, nos serviços de transporte coletivo municipal. Hoje os estudantes pagam 50% da tarifa nos transportes públicos. A passeata irá abordar, também, o fim do sucateamento da escola pública e o fim da promoção automática. “Existem cidades menores que Guarulhos com universidade pública, e os estudantes precisam do passe livre. Iremos defender e pressionar por uma resposta favorável dos parlamentares”, finaliza Fernando Costa.

Lembranças do passado parte VII

Lembranças do passado parte VI

Publicado no Jornal Olho Vivo

Passeata defende passe livre nos ônibus para estudantes
Lourdes Dias


Manifestação percorrerá as principais ruas da região central nesta terça ...

A Art Jovem, entidade que representa o grêmio das escolas, estudantes e a juventude de Guarulhos, realizará uma passeata amanhã (17), às 8h30, na praça Getúlio Vargas. A manifestação tem por objetivo defender o passe livre para alunos matriculados em estabelecimentos públicos e particulares de ensino, nos serviços de transporte coletivo municipal. Hoje os estudantes pagam 50% da tarifa nos transportes públicos.

O vereador José Carlos Dalan é autor do projeto de Lei 332/01, que institui o passe livre para estudantes, extensivo para alunos que freqüentem curso de alfabetização de adultos. O projeto tramita na Câmara Municipal pelas comissões de Justiça e Redação, em seguida para Finanças e Orçamento e, por último, passará pela comissão de Serviço Público. Dalan espera que as comissões analisem e apresentem emendas necessárias ao projeto até outubro.


Antecipando o resultado do trabalho das comissões na Câmara, membros da Art Jovem, liderados por Fernando Costa, realizam passeata nesta quarta-feira, dia 17, pelas principais ruas do Centro. Costa espera mobilizar mais de mil estudantes nesta manifestação e discutir o assunto com os vereadores antes da votação do projeto.


O evento irá abordar, também, o fim do sucateamento da escola publica e o fim da promoção automática, incentivo à garantia do primeiro emprego e eleição direta para diretor de escola.

Lembranças do passado parte V

Diz que Diz - 02/04/2003

ATO PELA PAZ Mais uma manifestação pela paz acontece na cidade. Desta vez, quem promove o ato é o Art Jovem e grêmios estudantis. Organizado por Fernando Costa, o ato será realizado na Praça Getúlio Vargas, a partir das 8h30, com passeata pelas ruas Capitão Gabriel, Dom Pedro II e João Gonçalves.

Lembranças do passado parte IV

Publicado no Jornal Olho Vivo


Uniões estudantis promovem Conselho Municipal de Entidades
Liliana Marciano


As Uniões Brasileira e Paulista dos Estudantes Secundaristas (UBES e UPES) realizam no domingo, a partir das 10 horas, na Câmara Municipal, o Conselho Municipal de Entidades, que reunirá grêmios estudantis da cidade para discutir: passe livre, universidade pública e reserva de vagas na universidade pública aos estudantes secundaristas. O encontro servirá também para reativar a União Guarulhense dos Estudantes Secundaristas, que existe há 21 anos e está desativada há 5...

De acordo com Aline Mastromauro, presidente da UPES, os três itens fazem parte da bandeira histórica das agremiações estudantis. “De 100% dos estudantes secundaristas, apenas 15% conseguem ingressar na universidade pública”, afirmou. Fernando Costa, vice-São Paulo da UBES, informou que as agremiações sabem que a reserva de vagas é uma medida paliativa, por este motivo pleiteiam a reforma do ensino básico e a formação de uma nova escola. Os organizadores do evento esperam reunir cerca de 100 estudantes, delegados e participantes.

Lembranças do passado parte III

Lembranças do passado parte II

Manifestação nesta quarta-feira, 22, marcou o “Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre”

Na manhã desta quarta-feira, 22, quase mil alunos – segundo estimativa da Polícia Militar – participaram de uma passeata pelas ruas do Centro promovida pela Uges (União Guarulhense de Estudantes Secundaristas), reivindicando passe livre no transporte público. Ontem foi o “Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre”. A concentração e o desfecho do protesto ocorreram na praça Getúlio Vargas, endereço da Câmara Municipal de Guarulhos. Apesar de a manifestação ter sido pacífica e de ter contado com a Polícia Militar na organização, acabou prejudicando o trânsito. No fim, um manifesto foi entregue aos vereadores Luiza Cordeiro (PCdoB), Ulisses Correa e Alencar Santana, ambos do PT.

Fabio Garcia (coordenador geral da Uges e vice-presidente da Upes – União Paulista dos Estudantes Secundaristas, Região Alto Tietê), Maxwell Leandro (coordenador geral da Uges e secretário geral da Upes), e Fernando Costa (secretário da juventude do PT) contam que a luta pelo passe livre é uma batalha histórica, que já dura 20 anos.

Segundo eles, um dos maiores índices de evasão escolar no país está diretamente ligado ao alto custo da passagem no transporte coletivo. Os líderes também revelam que os estudantes do Rio de Janeiro e Brasília já venceram essa luta. “Há algum tempo tramita na Câmara de Guarulhos um projeto de lei sobre a questão, de autoria do vereador Carlos Dalan (PSOL), que já foi reprovado”, dizem.

De acordo com os líderes, o manifesto entregue aos vereadores solicita uma audiência pública o mais breve possível, para que haja uma discussão do projeto de lei. Segundo eles, entre outros assuntos, nessa audiência será exposta a intenção de que a Uges tenha participação efetiva no Conselho Municipal de Transporte. “Esse conselho é uma verdadeira caixa-preta; desconhecemos as decisões dele, a arrecadação das empresas de ônibus, entre outras coisas. Quem se prejudica com tal situação é o estudante”, argumentam. De acordo com os líderes, os três vereadores são a favor do passe livre e se comprometeram a divulgar o projeto na Câmara.

Lembranças do passado parte I

Coordenadoria da Juventude

Juventude não é estado de espírito, mas construção culturalO projeto de criação da Coordenadoria da Juventude de Guarulhos, de autoria dos vereadores Jonas Dias e Ulisses Corrêa, reacendeu a discussão sobre o tema, marcado pela necessidade de criação de um espaço institucional que atenda à demanda dos jovens. A partir da criação da Secretaria Nacional de Juventude, as cidades vêm procurando suprir essa necessidade. O processo teve início em 2003, deflagrando um debate de dimensão nacional, com participação de setores da sociedade civil e governamentais. O debate sobre as questões juvenis ainda caminha a passos curtos, mas já mobiliza setores junto a essa faixa da população. É importante constatar que ainda não temos dados suficientes sobre a juventude em nossa cidade. Caso não haja uma tomada de consciência e uma mudança de rumo, corremos o risco de limitar o debate apenas à discussão sobre a instalação da Coordenadoria. Devemos ficar atentos para, em vez disso, discutir as relações entre a juventude e a sociedade. O fato é que a maioria dos segmentos sociais não percebe as necessidades dos jovens e não compreende que nessa fase da vida é necessária a construção de políticas específicas. Precisamos entender como a juventude se expressa e como se organiza. É preciso entender que a juventude não é um estado de espírito, mas sim uma construção sociocultural. Não podemos, portanto, compreender a juventude como algo estanque, amorfo, uniforme. São esses jovens marginalizados pela estrutura governamental que sofrem com a violência, doenças sexualmente transmissíveis, uso de drogas e desemprego. A criação desta Coordenadoria deve ser uma resposta a essas demandas e deve agir de forma inter-setorial. Não podemos permitir, por exemplo, a construção de uma política de geração de empregos que não inclua o jovem. O mesmo vale para as políticas educacionais, culturais e esportivas. Urge organizar um mapeamento da juventude na cidade, descobrir como vivem esses jovens e quais são seus principais anseios. Esse processo deve ser principalmente protagonizado por jovens.