Fernando Costa

Fernando Costa, com apenas 30 anos, já foi vice-presidente da União Guarulhense de Estudantes Secundaristas (UGES), Membro da executiva da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Foi assessor parlamentar durante cinco anos e responsável pela apresentação de inúmeros projetos de lei. Atualmente é editor do Jornal Primeira Página e Diretor Presidente da Agência FFC Publicidade.

04 dezembro 2008

Garota é presa por 40 dias após ter pichado a parede da bienal de São Paulo.

Essa é a manchete do Site UOL que tem uma pequena matéria explicando o fato e com espaço para a livre discussão dos internautas. http://forum.noticias.blog.uol.com.br/arch2008-11-30_2008-12-06.html#2008_12-03_19_57_08-8953204-0

Quase mil comentários em poucas horas, a grande e esmagadora maioria relatam que tem aversão a pichação, e que é contraria a esse tipo de manifestação e que a “garota” que não é tão garota assim, com seus 23 anos, deve ficar presa.

São manifestações de pessoas revoltadas com degradação do patrimônio publico e privado. O que não deixa de ser intolerante, por outro lado, os pichadores que motivados pelo que eles chamam de arte se acham no direito de invadir alguns espaços e “sujar” com sua pseudo-revolta popular do gueto.

Eles como a maioria não entendem a bienal, então foram lá dizer isso, poderiam organizar um protesto civilizado (acreditem existem formas de se protestar sem quebrar nada), preferiram a ilegalidade e brutalidade, o que tem um preço, à aversão da maioria da sociedade que não compreende pichação como arte.

É justo refletir que também não entendemos a “arte” deles e por isso alguns acham natural colocar um pichador na cadeia.

Sou contra esse tipo de manifestação em locais públicos ou sem autorização. É o caso do prédio onde moro, foi pichado há alguns meses, os moradores resolveram pintar o prédio por causa disso. Cada morador terá que pagar R$ 700,00 por causa de uma brincadeira de pessoas que não respeitam espaços privados.

Mesmo indignado com a postura dos pichadores não acredito que reclusão resolva alguma coisa, pelo contrario, no nosso atual sistema prisional transformaremos pichadores em bandidos.

Cadeia é para estupradores, bandidos, corruptos e homicidas. Existem penas alternativas que contemplam esse tipo de crime.

28 novembro 2008

Vicky Cristina Barcelona


A agradável e inédita comédia romântica de Woody Allen mostra duas jovens mulheres americanas e suas aventuras amorosas em Barcelona, uma das cidades mais românticas do mundo.

Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são grandes amigas, mas têm uma atitude totalmente diferente em relação ao amor. Vicky é sensata e está noiva de um homem respeitável. Cristina é desinibida sexual e emocionalmente e está sempre à procura de um amor que deixe seu mundo de cabeça para baixo.

Quando Judy (Patricia Clarkson) e Mark (Kevin Dunn), parentes distantes de Vicky, oferecem sua casa para umas férias em Barcelona, as duas aceitam de imediato: Vicky deseja passar seus últimos meses de mulher solteira fazendo pesquisa para o seu Mestrado e Cristina está tentando
mudar de cenário para aliviar o estrago mental causado pelo rompimento de seu último relacionamento.

Uma noite, em uma galeria de arte, Cristina, como de costume, instantaneamente põe os olhos sobre o homem mais intenso e interessante do lugar, Juan Antonio (Javier Bardem), um atraente pintor. Cristina fica ainda mais intrigada quando Judy cochicha que Juan Antonio teve um relacionamento tão explosivo com sua ex-esposa Maria Elena (Penélope Cruz) que um tentou matar o outro.

21 novembro 2008

Petrobras anuncia descoberta de reservas de petróleo em pré-sal do ES

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira que a perfuração de dois novos poços na camada do pré-sal no litoral do Espírito Santo comprovou uma "expressiva descoberta" de petróleo do tipo leve (de melhor qualidade) na área chamada de Parque das Baleias, na parte norte da bacia de Campos.

A petrolífera estima as reservas descobertas entre 1,5 e 2 bilhões de barris de óleo equivalente. Os poços foram perfurados a cerca de 80 km da costa e a cerca de 5 km do poço 1-ESS-103A, que já produz com alta vazão desde setembro.
Ainda segundo a Petrobras, as reservas se encontram abaixo dos campos de óleo pesado de Baleia Franca, Baleia Azul e Jubarte, sob uma camada de sal de até 700 metros e em lâminas d' água de 1.348 e 1.426 metros.

As reservas da chamada área do Parque das Baleias já totalizam 3,5 bilhões de barris de óleo equivalente, incluindo as descobertas anunciadas hoje, segundo os cálculos da Petrobras.

No início de setembro, o gerente de Exploração e Produção da Petrobras no Espírito Santo, Márcio Felix Carvalho, havia avaliado as reservas potenciais do Parque das Baleias em 2 bilhões de barris de petróleo equivalente.

"Os excelentes resultados dessas duas perfurações, as ótimas respostas do Teste de Longa Duração do poço pioneiro 1-ESS-103A e as facilidades logísticas já instaladas e em instalação na área levam a Petrobras intensificar os estudos para acelerar a produção do pré-sal do Espírito Santo", afirmou a diretoria da estatal, em seu comunicado ao mercado.

As reservas conhecidas atualmente no Brasil somam cerca de 14 bilhões de barris de petróleo e gás --sem considerar o pré-sal.

Vários campos e poços de petróleo já foram descobertos no pré-sal, entre eles o de Tupi, que é considerado o principal, e outros, como Guará, Bem-Te-Vi, Carioca, Júpiter e Iara. Os campos de Tupi e Iara têm reservas dimensionadas entre 7 bilhões a 12 bilhões de barris.

Em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que estava satisfeito com a descoberta de novas reservas no Espírito Santo. "É mais petróleo para enfrentarmos esta crise que estamos vivendo", afirmou o presidente.

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) comemorou que as descobertas do pré-sal já dobraram as reservas de petróleo. "São dois poços gigantescos, cada um com um bilhão de barril de óleo leve, da melhor qualidade", disse Lobão, acrescentando que com isso as reservas brasileiras de petróleo estarão duplicadas.

Até agora, a Petrobras já havia feito descobertas na camada do pré-sal de reservas que totalizavam 12 bilhões de barris nas bacias de Santos e Campos. Com os dois novos poços no litoral do Espírito Santo, no Parque das Baleias, as reservas do pré-sal já garantidas chegam também a 14 bilhões de barris.

"É mais uma descoberta importante da Petrobras, de óleo leve, de excelente qualidade", afirmou Lobão, acrescentando que o potencial do pré-sal é "ainda maior". Somente na bacia de Santos, há uma avaliação de que as reservas do pré-sal podem superar 50 bilhões de barris.

Selton Melllo lança seu primeiro filme como diretor.

Da Folha Online

"Não tenho lido as críticas publicadas", diz Selton Mello

Estréia do ator Selton Mello na direção, o filme "Feliz Natal" chega nesta sexta-feira aos cinemas depois de fazer carreira no circuito de festivais.

"Feliz Natal" mostra um homem com fortes traumas reavaliando pontos de sua vida e seu contato com personagens do passado agora envoltos em sérios problemas. Veja no Guia da Folha Online onde assistir o filme em São Paulo.

Selton conta em entrevista à Folha Online que se identifica com o diretor Fernando Meirelles e evita ler críticas sobre seu trabalho.

"Li algo do Fernando Meirelles que não leu as críticas do 'Blindness' ['Ensaio sobre a Cegueira'] e me identifiquei com isso e não estou lendo também. Se ela é ruim você se sente a pior pessoa do mundo, se ela é maravilhosa você acha que é a reencarnação do Orson Welles", brinca.

Sobre a "suposta polêmica" envolvendo cenas de nudez em seu filme, iniciada após um manifesto do ator Pedro Cardoso, Selton afirma que "esse assunto é passado".
O ator-diretor também afirmou que gostaria de adaptar "O Alienista", de Machado de Assis, para o cinema, mas que certamente este não será seu segundo projeto como diretor.

Leia abaixo trechos da entrevista concedida por e-email.
Folha Online - Selton, você acredita que o público vai receber "Feliz Natal" tão bem quanto a crítica e as fatias mais seletivas da audiência (como os freqüentadores da Mostra de São Paulo)?

Selton Mello - Não sei. Sinceramente. Público de cinema é uma incógnita. Os festivais são nichos onde está o consumidor apaixonado de cinema, claro. Mas acho que funcionam para esquentar os tamborins. Meu filme é denso, mas não hermético. Tenho viajado por festivais pelo país e o público reage muito bem ao filme. Acabamos de levar nove prêmios no Festival de Goiânia, incluindo melhor filme, direção, atriz (para Darlene Gloria), roteiro, fotografia... Foi bem emocionante o reconhecimento.
Eu tive ótimas críticas e outras nem tanto, ou até duras, e confesso que não tenho lido as críticas publicadas, boas e ruins. Li algo do Fernando Meirelles que não leu as críticas do "Blindness" ("Ensaio sobre a Cegueira", em português) e me identifiquei com isso e não estou lendo também. Se ela é ruim você se sente a pior pessoa do mundo, se ela é maravilhosa você acha que é a reencarnação do Orson Welles (risos). Para se manter vivo e alheio a isso tudo, você tem que estar em paz com o filme que realizou. E durmo tranqüilo, com a consciência de ter feito um belo primeiro filme, com qualidades e imperfeições, como a vida.

Folha Online - Apesar do tema "natalino", o filme é bastante forte e foge do clássico que as famílias procuram perto da festa. Foi uma decisão estratégica a estréia cerca de um mês antes do Natal, para driblar a concorrência com os filmes-família típicos da época?

Mello - Acho que filmes típicos de Natal já têm aos montes. Todos muito felizes, animados e esperançosos. E acho ótimo. Mas o Natal tem várias vertentes. Quis filmá-lo porque é um momento que as pessoas estão no limite, qualquer comentário pode virar uma explosão de constrangimentos. Coisas que estavam guardadas há anos. Há uma espécie de jogo oculto, umas simulações de afeto, umas forçadas de barra, regadas a peru, arroz de forno e batatas.

Acho o Natal bem melancólico. Não seria um filme meu se fosse uma festa de Papai Noel com presentes e renas de nariz vermelho.

Folha Online - Você pretende dirigir mais? Já tem algum projeto em vista? Você acredita que, em geral, atores podem se tornar bons diretores?

Mello - Fiquei fascinado com a direção. Quero dirigir muito mais. Acho que atores podem ser bons diretores sim, porque já têm experiência do outro lado. Olha o Matheus Nachtergaele, Sean Penn, Clint Eastwood. E quando dirigimos, passamos a compreender melhor o processo todo. Eu me sinto um ator muito mais consciente agora. Dirigir é visceral, doloroso, solitário e altamente apaixonante.
Penso em filmar "O Alienista", de Machado de Assis. Mas, definitivamente não será meu segundo filme, mas já trabalho no roteiro com meu parceiro Marcelo Vindicatto. Me agrada a idéia de levar para as telas essa história que mostra o limite tênue da razão e da insânia.

Folha Online - Você acredita que a crise possa, a um curto prazo, afetar o mercado cinematográfico?

Mello - Acho que pode afetar tudo, inclusive as artes. Fiquemos atentos para o que está por vir...
Folha Online - Quanto à meia-entrada, você é a favor de algum tipo de restrição em relação ao benefício?

Mello - Sinceramente, acho que a meia-entrada deveria ser revista. Os valores aumentaram depois que isso virou lei. E se formou um sistema vicioso: quem não é estudante não consome cultura tanto quanto gostaria. E qual foi a solução, para parte desse grupo? Falsificar carteirinha. Isso, para ter acesso a uma coisa que poderia pagar, se fosse mais barato. Mas, se for mais barato, nada de lucro para as empresas (porque tem a meia-entrada).

Loucura, não? Tostines vende mais por quê? Mas uma coisa é certa, os ingressos de cinema são muito caros e afastam o publico. "Meu Nome não é Johnny" é o grande sucesso do ano, com 2,5 milhões de espectadores. Muito? Acho pouco. Se custasse mais barato faríamos 12 milhões de espectadores. Alguma coisa tem que ser revista.
Folha Online - E a pirataria? Qual é a sua posição a respeito?
Mello - Tem a ver com a resposta anterior. Sendo mais barato, ninguém precisaria de ver um filme com a qualidade debilitada.

Folha Online - Quanto à nudez, por quê você acha que o filme gerou tal polêmica? A discussão já está resolvida?

Mello - Não sei o motivo da polêmica, meu nome e meu filme não foram citados diretamente. Foi tudo uma série de suposições. E não me interesso por suposições, e sim por cinema como uma forma de poesia. Mas penso que esse assunto é passado, assim como o a morte de Kennedy e o desaparecimento do menino Carlinhos (risos).

18 novembro 2008

Pelo fim da violência contra as mulheres

Está no ar o site www.homenspelofimdaviolencia.com.br, que faz parte da campanha nacional "Homens unidos pelo fim da violência contra as Mulheres", lançada pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM). Trata-se de uma ferramenta eletrônica de coleta de assinaturas. A iniciativa é uma resposta do Estado brasileiro à convocação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que lançou a campanha mundial "Unite to End Violence Against Women", em fevereiro deste ano, para mobilizar líderes nacionais pelo fim da violência contra as mulheres.

Vitória dos estudantes: votação do projeto que impõe cotas para meia-entrada foi adiada

O senador Inácio Arruda (PCdoB) pediu vista do processo em nome dos estudantes. UNE afirma que continuará mobilizada em defesa do direto a meia-entrada sem restrições
Depois de um dia intenso de mobilizações no Senado Federal, lideradas pela presidente da UNE, Lúcia Stumpf e diretores da entidade, a votação do Projeto de Lei 188/07, que regulamenta a meia-entrada e restringe a 40% os ingressos destinados para estudantes e idosos foi adiada para a próxima semana. O presidente da comissão, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), concedeu vista do projeto ao senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que contestou o estabelecimento de uma sistema de cotas para a venda de ingressos com desconto.
O adiamento da votação ocorreu após quase duas horas de intensos debates na comissão. Os estudantes se posicionam contra qualquer tipo de restrição ao uso da carteira, reafirmou a Lúcia.
Durante o debate, Inácio Arruda contestou diretamente a cota de 40%, que considerou uma "restrição" à meia-entrada. Ele alertou para a possibilidade de a cota ser reduzida para até 10% dos ingressos, no futuro. O senador Raimundo Colombo (DEM-SC) concordou com Arruda e afirmou que a "juventude não pode ser punida". Ao final, o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) considerou a votação do projeto uma "oportunidade histórica" para aprimorar a "conquista da meia-entrada".
"Continuaremos as mobilizações para garantir a meia-entrada sem restrições", convoca a líder estudantil, que está em Brasília acompanhando o caso. Segundo ela, o objetivo é sensibilizar os senadores a retirarem a restrição imposta pela cota. Leia aqui a carta dos estudantes entregue aos senadores.
Para Lúcia, existem vária razões para que os estudantes sejam contrários ao sistema. Ela aponta como a principal delas o fato de que não há um mecanismo de fiscalização para impedir atitudes fraudulentas por parte dos empresários. Ela diz que o que vai ocorrer, na prática, é que o segundo estudante na fila já recebe resposta negativa para aquisição do ingresso com alegação de que a cota já está preenchida.
Ela destaca ainda que a meia-entrada é um direito e contribui para a formação intelectual dos estudantes que não se dá apenas em sala de aula. "A meia-entrada não é apenas um benefício, mas um incentivo da formação cidadã do estudante brasileiro", avalia.
A líder estudantil reconhece que a falsificação de carteiras de estudante inviabilizou o trabalho dos empresários culturais, que aumentaram o valor do ingresso para dar conta dessa situação. Mas acredita que a regulamentação na emissão e distribuição do documento serão suficientes para coibir as falsificações.
"A emissão por um órgão público como a Casa da Moeda, como estamos propondo, e a distribuição e fiscalização por um conselho amplo, composto por empresários, estudantes e o governo, em que só estudantes tenham acesso à carteira, vai diminuir o número de estudantes que acessam a meia-entrada", explica Lúcia.

Ilha das Flores

Um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho.

Ficha Técnica

Gênero Documentário, Experimental
Diretor Jorge Furtado
Elenco Ciça Reckziegel
Ano 1989
Duração 13 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil


Produção Mônica Schmiedt, Giba Assis Brasil, Nôra Gulart Fotografia Roberto Henkin, Sérgio Amon Roteiro Jorge Furtado Edição Giba Assis Brasil Direção de Arte Fiapo Barth Trilha original Geraldo Flach Narração Paulo José

Prêmios


Urso de Prata no Festival de Berlim 1990
Prêmio Crítica e Público no Festival de Clermont-Ferrand 1991
Melhor Curta no Festival de Gramado 1989
Melhor Edição no Festival de Gramado 1989
Melhor Roteiro no Festival de Gramado 1989
Prêmio da Crítica no Festival de Gramado 1989
Prêmio do Público na Competição "No Budget" no Festival de Hamburgo 1991



Che: A Guerrilha



Steven Soderbergh é um dos cineastas mais insólitos do mainstream norte-americano. Estreou alternativo, com sexo, mentiras e videotape, Palma de Ouro em Cannes; pareceu mais respeitável para ganhar o Oscar de melhor diretor por Traffic e fazer Erin Brockovich. No meio disso tudo, fez coisas estranhas como Kafka e Bubble e comédias divertidas com a série Onze Homens e um Segredo. Soderbergh vai do grande ao pequeno, do ousado ao despretensioso, com facilidade. Erra e acerta com freqüência. Quando anunciou que faria uma cinebiografia de Che Guevara, seria lógico pensar que este seria um de seus filmes sérios e convencionais. Sério, o projeto é. Convencional, nem tanto, principalmente para os padrões norte-americanos.
O projeto Che foi dividido em dois: O Argentino, que acompanha Guevara na Revolução Cubana, e A Guerrilha, retrato de seus últimos anos, treinando militantes na Bolívia. Ambos são obras com forte cunho documental, baseadas nos diários escritos pelo próprio Che, onde Soderbergh surpreende fazendo um retrato apaixonado do revolucionário. São quase filmes-panfleto, que transportam o personagem para aquele plano onde estão as criaturas inquestionáveis. Mas o diretor adota esta postura sem os exageros dramáticos comums a obras dessa natureza. Soderbergh vira advogado de defesa de Che Guevara em pequenas cenas que retratam, sobretudo, o código de ética e o senso de moral do personagem em meio à batalha.

Esta opção parece, a princípio, esconder a interpretação de Benicio Del Toro, já que não existem arroubos narrativos ou dramáticos comuns para se exaltar uma performance, convencer a platéia e ganhar prêmios. Não há nada parecido com um "eu estou grávida de Luís Carlos Prestes", por exemplo. Do começo ao fim, o ator está discreto, sutil e silencioso. E, por isso mesmo, constrói aos poucos um personagem de primeira grandeza, de certa forma respeitando o Guevara vivido por um simpático Gael García Bernal em Diários de Motocicleta, mas o lançando num outro patamar de interpretação. A performance de Del Toro reflete o tom adotado por Soderbergh e vice-versa.
Em O Argentino, a opção por duas linhas narrativas paralelas causa um certo estranhamento. A primeira, em p&b com Guevara ministro, remonta o cinema norte-americano dos anos 70, factual, articulado e político. A segunda, com o cotidiano da guerrilha se alinha a um modelo narrativo mais atual, que explora detalhes em excesso, muitas vezes deixando o foco principal do filme para se ater a minúcias. As duas linhas temporais parecem competir (uma mais ágil; outra mais contemplativa, justamente a da guerra), mas terminam como complemento exato uma da outra. Este primeiro filme é um trabalho mais sóbrio do que o segundo, com uma câmera mais simples e uma trilha mais discreta.
Já o segundo longa, A Guerrilha, que adota uma narrativa única, mais simples, mas igualmente documental, permite que Soderbergh estetize mais a fotografia e que Alberto Iglesias mostre sua música. Curioso já que o filme se passa praticamente inteiro no campo de batalha. O longa funciona como contraponto para seu irmão gêmeo porque de certa forma mostra o ocaso da ideologia da Revolução Cubana. Del Toro mantém a mesma interpretação naturalista, mas agora com um quê mais melancólico diante de uma luta que não foi comprada pela população. Soderbergh, no entanto, encerra o longa com a mesma paixão juvenil que demonstrou, ainda que sem reverência, por aqueles devaneios ideológicos. Soderbergh é mesmo um dos cineastas mais insólitos do mainstream norte-americano.

A Primeira Blognovela do Brasil


"Não é o que vocês estão pensando. De alguma forma, é o que vocês estão pensando. De alguma forma, o que vocês estão vendo é isto. O que vocês estão vendo confirma o que vocês estão pensando."


Na voz de Gerald Thomas, a gravação parcialmente transcrita acima abre "O Cão que Insultava Mulheres, Kepler, the Dog", encenação do primeiro capítulo da "blognovela" do diretor, que tem ensaio aberto hoje à noite.

No início da tarde de ontem, a produção informou que o espetáculo será transmitido em tempo real pelo portal iG.

Boa parte da dramaturgia, que desafia descrições, foi construída a partir de comentários deixados por internautas no blog de Thomas
(www.colunistas.ig.com.br/geraldthomas). Da internet também foi "importada" uma atriz --Thomas pediu que interessados enviassem vídeos inspirados nos textos postados por ele na internet.

A Casa

Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada! Tinha uma letra de Vinícius de Moraes que se tornou um clássico infantil. Se delicie com essa animação!

8X8 Curta Metragem apresentado na Bienal de Cultura da UNE

Cartas da Mãe (Parte 3)

Cartas da Mãe (Parte 2)

Cartas da mãe (Parte I)

O Filme é uma crônica sobre o Brasil dos últimos 30 anos contada através das cartas que o cartunista Henfil (1944/1988) escreveu para sua mãe, Dona Maria. Estas cartas, publicadas em livros e jornais, são lidas pelo ator e diretor Antônio Abujamra enquanto desfilam imagens do Brasil contemporâneo. Política, cultura, amigos e amor são alguns dos temas que elas evocam, criando um diálogo entre o passado recente do Brasil e nossa situação atual. Artistas, políticos e amigos de Henfil, entre eles o atual Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, o escritor Luis Fernando Veríssimo, os cartunistas Angeli e Laerte e o jornalista Zuenir Ventura, falam sobre a trajetória do cartunista dos anos da ditadura militar até sua morte. Animações inéditas de seus cartuns complementam o documentário.



17 novembro 2008

Professores estudarão história da África

Um grupo de 120 professores de história, geografia, artes, português e matemática da rede estadual de educação do Espírito Santo volta à sala de aula em 2009 para receber formação em história da África e relações étnico-raciais. Eles participarão do primeiro curso de pós-graduação, nível de aperfeiçoamento, na temática étnico-racial, aberto pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). A formação é prevista na Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003.

De acordo com a coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Ufes, Maria Aparecida Santos Corrêa Barreto, a aula inaugural aconteceu na quarta-feira, 12, em Vitória, mas o primeiro encontro de formação será em fevereiro de 2009. A carga horária é de 200 horas presenciais, que devem ser cumpridas entre fevereiro e novembro do próximo ano.

O currículo construído pela Ufes segue as diretrizes da Lei nº 10.639/2003. Entre os temas que serão abordados por pesquisadores da instituição, professores convidados e militantes do movimento negro nacional nas aulas, estão a literatura africana e afro-brasileira, violência e relações raciais, estudos sobre a África, relações étnico-raciais no Brasil, territórios quilombolas, saúde e grupos étnico-raciais.

Como o interesse pelo curso foi além do número de vagas, Maria Aparecida diz que a Ufes definiu uma série de critérios para a seleção, entre eles, que o professor trabalhe em município que pediu o curso no Plano de Ações Articuladas (PAR), que seja efetivo na rede, com graduação e que tenha interesse na temática étnico-racial. O interesse pela área permitiu, por exemplo, que professores de matemática fossem selecionados.

Para essa pós-graduação, a Universidade Federal do Espírito Santo receberá R$ 150 mil do MEC, por meio do Programa de Ações Afirmativas para a População Negra nas Instituições Públicas de Educação Superior (Uniafro). O recurso é para pagar os professores que darão as aulas e os materiais didáticos e pedagógicos. A secretaria de educação do estado vai custear o transporte, a alimentação e a hospedagem dos cursistas.

Formação nacional – A Ufes integra um grupo de 20 universidades federais e cinco estaduais selecionadas pelo Ministério da Educação para fazer formação de professores da educação básica pública sobre história da África e relações raciais afro-brasileiras. As universidades federais de São Carlos (UFSCar) e do Rio Grande do Sul (UFRGS) foram escolhidas para elaborar materiais didáticos para uso de professores e estudantes na sala de aula. A UFSCar vai produzir livros para o professor e para o aluno das séries finais do ensino fundamental e a UFRGS vai criar um vídeo sobre a história da África. No conjunto, o repasse para os cursos de formação e elaboração de materiais didáticos soma R$ 3,6 milhões. Os recursos por universidade variam de R$ 100 mil a R$ 150 mil.

A maior porcentagem de projetos das universidades é para cursos de 180 horas, valor que Leonor Franco, coordenadora geral de diversidade da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério (Secad), considera ideal para que o professor se aproprie da abrangência da temática. Mas o MEC financia também cursos de 120 horas. Uma parte pequena das instituições apresentou projetos de cursos rápidos, de 60 horas, para sensibilizar os alunos de suas licenciaturas.

Segundo Leonor Franco, o número de pedidos de formação de professores nessa área chega a 68 mil, daí a importância das universidades aderirem ao projeto. “É uma demanda desafiadora que vem de todo o país”, diz. Nos planos de ações articuladas (PAR), que é um planejamento para o período 2007 a 2011, 72% dos municípios pediram o curso.

Brasil atinge meta de mortalidade infantil quatro anos antes

O Brasil conseguirá reduzir em dois terços os índices de mortalidade infantil e atingirá uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2011 – quatro anos antes do prazo. O índice geral brasileiro será 14,4 mortes para cada grupo de mil crianças menores de um ano de idade. A queda na taxa de óbitos infantil superou a fixada pela ONU, que era de 2,9%. Atualmente, a taxa brasileira de mortalidade infantil cai, em média, 5,2% ao ano, quase o dobro da proposta original.

As experiências brasileiras para reduzir mortalidade infantil e materna, enfrentar e conter o avanço do HIV/aids, da malária e de outras doenças serão apresentadas, ao lado das ações de outros 15 países e organizações não-governamentais nacionais e estrangeiras, na primeira edição das conferências brasileira e internacional de Monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio do Setor Saúde. Os encontros serão abertos, às 10h, desta terça-feira (18), pelos ministros José Gomes Temporão, da Saúde, e Celso Amorim, das Relações Exteriores, no Palácio do Itamaraty, e prosseguem, nos dois dias seguintes, no Gran Bittar Hotel, em Brasília (DF).

As duas conferências têm o intuito de promover a troca de experiências, a identificação de avanços e a construção de propostas que favoreçam ao alcance dos objetivos do milênio até 2015, prazo estipulado pela ONU. Essa é a primeira vez que o governo brasileiro promove os encontros para debater especificamente os objetivos do milênio na perspectiva do setor saúde.

MORTALIDADE INFANTIL

O diretor do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas (Dapes) do Ministério da Saúde e um dos coordenadores das conferências, Adson França, atribui a redução da mortalidade infantil a vários fatores e políticas públicas que impactaram positivamente na vida do brasileiro. “O saneamento básico aumentou, o tratamento da água está chegando a um patamar fenomenal, a expansão do programa nacional de vacinação das crianças e o aumento da escolaridade das brasileiras”, enumera França.

A pesquisa “Avaliação do Impacto da Estratégia Saúde da Família (ESF) sobre a Mortalidade Infantil” verificou que a cada 10% de aumento na cobertura populacional da ESF, a taxa de mortalidade infantil reduziu em média 4,6%. Quando começou, em 1994, apenas um milhão de pessoas recebia cobertura das equipes de Saúde da Família. Em 1998, esse número chegou a 10,4 milhões. Em 2002, subiu para 54,9 milhões de pessoas.

Atualmente, 90,7 milhões de pessoas são assistidas pelo programa, o que corresponde a 48,2% da população brasileira. Em 2007, os investimentos na Estratégia Saúde da Família somaram R$ 4,06 milhões. Hoje são 28,4 mil equipes implantadas, além de 16,9 mil equipes de Saúde Bucal. Os agentes comunitários de Saúde somam 221,5 mil e assistem a 110,6 milhões de pessoas, o que corresponde a uma cobertura de 58,8% da população brasileira.

O Brasil também conseguiu frear a proliferação do HIV/AIDS (objetivo número 6) e estabilizou a sua propagação em 32 mil novos casos por ano. O país tem 620 mil soropositivos, dos quais 200 mil recebem cuidados do sistema público de saúde. O restante inclui pessoas que têm o HIV, mas não desenvolveram a doença e também aqueles que desconhecem que são portadores do vírus. O Brasil é referência mundial no tratamento, com a oferta gratuita de todos os medicamentos, e na prevenção, por meio da distribuição de preservativos masculinos e femininos. Como desafios, o país se impôs ampliar o diagnóstico precoce; reduzir a transmissão vertical; focar ações nos grupos vulneráveis e assegurar sustentabilidade dos insumos de prevenção e tratamento.

MORTALIDADE MATERNA

Adson França diz que o Brasil terá apenas 50% de chance de melhorar a saúde da mulher e reduzir a mortalidade materna até 2015 (objetivo número 5), como propôs a ONU. A mesma projeção é feita pelos organismos internacionais. Atualmente, a taxa de mortalidade materna é de 74 por 100 mil nascidos vivos. Apesar de longe do aceitável, houve avanços quando comparada a taxa atual com a de 1990, quando a mortalidade materna era em torno de 128 mulheres por cada 100 mil bebês nascidos. “Os países que conseguiram reduzir a mortalidade materna o fizeram com políticas estratégicas de 20 anos. Conseguiram chegar a uma taxa aceitável de 20 mulheres por 100 mil nascidos vivos. Portugal fez assim. A taxa brasileira de mortalidade materna está diminuindo, mas ainda não no ritmo necessário”, explica o médico.

O Brasil ainda enfrenta os reflexos de alguns entraves que datam desde os anos 1990 e início de 2000, em que a subnotificação da mortalidade materna superava em mais da metade o número de óbitos. “Faltam coragem e instrumentos para mostrar de que morre as mulheres brasileiras durante o pré-natal, o parto, o pós-parto e nas complicações por aborto”, explica Adson França. Segundo ele, uma mulher gestante ou tem complicação por abortamento ou no parto ou no pós-parto, mas não pode morrer de parada cardiorrespiratória e falência múltipla de órgãos. “Ela tem que ter uma causa básica: hemorragia, complicação da hipertensão arterial, infecção em torno do parto ou complicação por aborto”, detalha.

Segundo o diretor do Dapes, o Brasil perde, em média, 1,6 mil mulheres por ano. Quando aplicado o fator de correção de um ponto quatro (1.4), devido à subnotificação, esse valor é multiplicado por 40% e totaliza cerca de duas mil mortes maternas a cada ano. “A morte materna é evitável em 90% a 95% dos casos, diferentemente da provocada por câncer de mama, que é extremamente complexo e chega a matar de oito a 10 mil mulheres por ano”, diz Adson França.

MUDANÇAS

O não preenchimento adequado do atestado de óbito leva a uma estatística falsa e impede o gestor de traçar políticas públicas e estratégias para enfrentar os problemas que causam a mortalidade. Mas esse cenário começa a mudar. Em 2005, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Pacto de Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, considerado pela ONU modelo de mobilização social. O pacto obriga o gestor municipal e estadual a traçar estratégias para a saúde materna.

Em junho deste ano, o ministro José Gomes Temporão assinou portaria em que estabeleceu o prazo de 48 horas para o serviço ou profissional de saúde informar a morte de mulheres em idade fértil (10 a 49 anos de idade) e de 30 dias para a secretaria estadual de Saúde notificar o registro ao ministério.

Ainda de acordo com a portaria, a equipe de vigilância de óbito materno tem prazo de 120 dias para concluir o levantamento dos dados que compõem a investigação e enviar o material aos comitês estaduais ou municipais de morte materna de referência. O Brasil conta com cerca de mil comitês – um em cada capital e nos municípios com população entre 80 mil e 100 mil habitantes. Adson França prevê que esse conjunto de medidas dará respostas positivas aos desafios brasileiros dentro de quatro ou cinco anos.

PARA SABER MAIS

Os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) foram definidos, em 2000, por 191 países que acolheram a proposta de Kofi Annan, ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas. Três deles têm relação com a saúde: reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde das gestantes e combater a aids, a malária, a tuberculose e outras doenças. Os cinco restantes, relacionados a outros setores, são erradicar a extrema pobreza e a fome; universalizar a educação básica de qualidade; promover a igualdade entre os sexos e a valorização da mulher; dar prioridade à qualidade de vida e ao respeito ao meio ambiente e, ainda, estabelecer uma parceira mundial pelo desenvolvimento. Os objetivos são os seguintes: 1 – Erradicar a extrema pobreza e a fome; 2 – Universalizar a educação básica de qualidade; 3 – Promover a igualdade entre os sexos e a valorização da mulher; 4 – Reduzir a mortalidade infantil; 5 – Melhorar a saúde das gestantes; 6 – Combater a AIDS, a malária e outras doenças; 7 – Priorizar a qualidade de vida e o respeito ao meio ambiente; 8 – Estabelecer parceria mundial pelo desenvolvimento.

Brasil é exemplo mundial no enfrentamento da aids

O Brasil é reconhecido internacionalmente pela adoção da política de acesso universal ao tratamento gratuito de HIV/aids na rede pública de saúde. Um dos resultados positivos dessa política, que completou 11 anos, tem sido a ampliação do número de pessoas que recebem o tratamento com anti-retrovirais financiados pelo governo. Atualmente, o país tem 620 mil soropositivos, dos quais 200 mil estão em tratamento – o que representa uma cobertura de 95% daqueles que desenvolveram a aids. O restante inclui pessoas que têm o vírus, mas ainda não desenvolveram a doença, portanto não precisam do tratamento, e também os portadores que sequer sabem que estão com o HIV. Em escala global, estima-se que hoje há 10 milhões de pessoas que necessitam de tratamento para a Aids em todo o mundo. Desse total, somente três milhões de pessoas têm acesso.

Há estudos que mostram que o acesso ao tratamento contribui para a diminuição da proliferação da doença. “Deter a propagação implica investir na prevenção. É o que o país vem fazendo ao universalizar o acesso ao tratamento. Podemos citar como exemplo o licenciamento compulsório do anti-retroviral Efavirenz”, comenta a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão.

O licenciamento compulsório permite que o Ministério da Saúde importe versões genéricas do Efavirenz de laboratórios pré-qualificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A qualidade, a segurança e a eficácia do medicamento importado oferecido aos pacientes brasileiros estão asseguradas pelos testes de bioequivalência e biodisponibilidade exigidos. O anti-retroviral Efavirenz é o medicamento importado mais utilizado no tratamento da doença. Atualmente, 38% dos pacientes usam o remédio nos seus esquemas terapêuticos.

PREVALÊNCIA

Para Mariângela Simão, o Brasil tem conseguido deter a expansão da doença. Na década de 1990, o Banco Mundial estimava que, o país, no ano 2000, teria um milhão de infectados. “Chegamos ao ano 2000 com metade dessa estimativa, o que significa que estamos conseguindo estabilizar a incidência da aids”, explica.

Segundo a diretora do Programa, o que vem mudando nos últimos anos é a categoria de exposição. No começo, eram os grupos de risco. Gradativamente, se transformou em uma epidemia de transmissão heterossexual, com um maior número de mulheres infectadas. No início, eram 26 casos da doença em homens para uma mulher. Hoje, a média é de 16 casos em homens para 10 em mulheres, com variações por faixa etária.

Nesse sentido, ações como o Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DST, lançado em 2007, têm sido fundamentais. O plano, resultado de uma ampla parceria entre o Ministério da Saúde, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e agências da Organização das Nações Unidas – UNFPA, Unifem e Unice, está em pleno desenvolvimento. Uma das principais metas é o acesso ao diagnóstico do HIV, com previsão de dobrar, nos próximos anos, o percentual de mulheres que já realizaram teste anti-HIV.

Para Mariângela, o Brasil, embora seja considerado um exemplo de boa prática e referência mundial no acesso ao tratamento como direito básico, ainda há desafios, como a ampliação do diagnóstico precoce e do complexo industrial da saúde e a redução da transmissão vertical. “Hoje, fazemos dois testes rápidos por meio da produção nacional, o que nos coloca numa condição autônoma e contribui para a ampliação da oferta de diagnóstico. Além disso, o Ministério da Saúde editou uma portaria ampliando o teto financeiro dos estados para aumentar os testes em gestantes no pré-natal”, conclui.

Improvável

09 agosto 2008

É a classe média, estúpido!

Como diria alguém, nunca antes na história deste país a classe média virou mais da metade da população. De acordo com estudo do economista Marcelo Neri, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o número de famílias de classe média subiu de 42,26% para 51,89% entre 2004 e 2008.

A FGV considera uma família de classe média (classe C) quando ela tem renda mensal entre R$ 1.064 e R$ 4.591. O estudo também confirmou outros dados recentes que mostram redução da pobreza.

São notícias boas para o país que acabam sendo boas para o governo de plantão. Elas ajudam a explicar a popularidade de Lula.

O Brasil vem melhorando desde a redemocratização em 1985. Avançou vagarosamente em alguns momentos, como nos governos Sarney e Collor e no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Avançou mais rapidamente em outras fases, como nas gestões de Itamar e no primeiro mandato de FHC.

No governo Lula, progressos para os mais pobres têm acontecido com relativa velocidade. O petista é beneficiado por esse processo geral de melhora, por políticas que nasceram nos anos tucanos e por acertos próprios.

Lula conduziu a economia com responsabilidade e acelerou o ritmo de redução da pobreza. Ele tem feito um ajuste fiscal mais duro do que o de FHC, apesar de os tucanos baterem na tecla de aumento de gastos _algo que realmente aconteceu no segundo mandato do petista. Lula massificou programas sociais tipo amostra-grátis. O Bolsa Família apanhou e apanha muito, mas tem muito mais acertos do que erros.

Setores da oposição na política e na mídia oscilam do esperneio ao desânimo. Ora, enxergam uma iminente tentação totalitária de Lula _o fantasma do terceiro mandato, a conexão Farc. Ora, sonham com a explosão de novo escândalo de corrupção para afundar o petista na impopularidade.

Essa gente está apostando errado. Talvez fosse conveniente aos planos futuros do PSDB e do DEM chamar James Carville para uma conversa. Marqueteiro de Bill Clinton em 1992, Carville cunhou a expressão "é a economia, estúpido!". Ele se referia à recessão americana que levaria George Bush pai à derrota na eleição presidencial daquele ano.

No Brasil sob Lula, a economia vai bem no geral. No entanto, os mais pobres vivem melhor do que viviam antes da chegada do petista ao Palácio do Planalto. Algum mérito Luiz Inácio deve ter tido. A classe média virou maioria da população economicamente ativa.

Faria um bem danado à oposição se concentrar em propostas para melhorar a vida de todos os brasileiros, de miseráveis a pobres, de remediados a ricos. Carville aconselharia: "É a classe média, estúpido"

Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.Também é comentarista do telejornal "RedeTVNews", no ar de segunda a sábado às 21h10.

06 agosto 2008

Diretores de sindicato são presos com armas

Diario de Guarulhos

Três diretores do Sincoverg (Sindicato dos Condutores de Guarulhos e Região) foram presos ontem em flagrante, após policiais do Garra encontrarem na sede da entidade porretes com pregos na ponta, quatro bombas caseiras e garrafas com pólvora, além de facões e um revólver calibre 38.

Cleber Figueiredo Costa, Ramiro e Luiz Venâncio foram presos e encaminhados para o 1º DP (Centro). Eles responderão por porte ilegal de arma, sem direito a fiança. Segundo a polícia, eles teriam alegado que o material seria para autodefesa e que pertenceria à antiga presidência.

O ex-presidente do Sincoverg Orlando Maurício Junior, o Brinquinho, que deixou o cargo para ser candidato a vereador, também foi ouvido ontem e liberado.

Uma funcionária do departamento financeiro foi levada à delegacia para prestar depoimento. Ela tentou reagir e quase foi algemada. Orientada por funcionários do sindicato, entrou na viatura e seguiu até a delegacia.

ARSENAL
A polícia chegou ao arsenal, na sede do sindicato, na vila Progresso, por meio de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e uma denúncia anônima que dizia haver no local material para a confecção de bombas. Além do revólver, havia bombas caseiras, 16 garrafas, seis delas com pólvora dentro – que poderiam ser usadas como coquetéis molotov, 105 porretes – alguns com pregos nas pontas e frases como “Em homenagem ao Douglas, preso injustamente” e “Pau de amansar doido” – e uma lança.

Um membro da Cooperativa Habitacional dos Trabalhadores do Estado de São Paulo aguardava o fim das buscas. Para Antonio Ferreira Mendes, o caso teria sido uma armação de “inimigos políticos”. “Isso é coisa da oposição”, afirmou.

O Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais ) foi chamado para buscar os artefatos que serão periciados. Uma equipe da Polícia Científica também esteve no local.

Planejaram o seqüestro de um dos filhos de Lula

A Polícia Federal descobriu indícios de que a organização chefiada pelos traficantes Juan Carlos Ramirez Abadia, chefe do Cartel de Bogotá, e Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, planejou, de dentro do presídio federal de Campo Grande, seqüestrar pelo menos um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para exigir como resgate a libertação deles e de outros integrantes da quadrilha. No plano, os criminosos também pretendiam capturar pelo menos cinco altas autoridades do Executivo e do Judiciário

Timão bate o Juventude e acaba com jejum

Mano Menezes comandou um treino no Pacaembu na segunda-feira para tentar acabar com a falta de gols da equipe dentro de casa. Conseguiu. Mesmo apresentando os mesmos problemas de criação e o futebol ruim das últimas partidas, o Corinthians fez o suficiente para derrotar o Juventude por 2 a 0, nesta terça-feira à noite. Após uma derrota e um empate nas duas últimas partidas dentro de casa, finalmente o Alvinegro fez as pazes com a torcida corintiana.

Quando a fase não é boa, a bola custa a entrar. No gol de Fabinho, ainda no primeiro tempo, a bola tocou nas duas traves e rolou sobre a linha antes de entrar. Gol suado, mas que vale a recuperação da equipe de Mano Menezes na Série B do Campeonato Brasileiro. E o segundo gol, de Herrera- que homenageou Acosta, que só volta a jogar em 2009 -, aconteceu aos 45 minutos da etapa final. De quebra, o Timão ainda desempatou o histórico de confrontos diante da equipe gaúcha.

Com a vitória, o Corinthians foi aos 35 pontos e manteve a diferença de cinco pontos para o segundo colocado, que agora é o Avaí. Em contra partida, com a derrota do Barueri, o Timão ampliou a vantagem para o terceiro colocado: são oito pontos. Já o Juventude perdeu uma posição e agora é o 7º colocado.

Assim como nas duas últimas partidas dentro de casa, o Corinthians encontrou muitas dificuldades para furar o bloqueio da equipe gaúcha. Além disso, não ter marcado gols contra Bahia e Criciúma deixou os jogadores do Timão pressionados em excesso. A ansiedade durante o jogo ficou clara em lances em que o último passe saia para um jogador que estava marcado, enquanto outro pedia bola livre. A dificuldade também pode ser explicada em mais uma fraca atuação do meia Douglas, responsável por criar as jogadas de ataque do Alvinegro.

Estava desenhado que se conseguisse fazer o primeiro gol no Juventude o Corinthians venceria a partida, tamanha foi a falta de vontade do time de Caxias do Sul de jogar em busca da vitória. Expulso por reclamação, o técnico Zetti demorou mais de dois minutos para deixar o campo.

Faltava o gol ao Timão, e ele veio aos 44 minutos do primeiro tempo, para alívio da Fiel torcida que, enfim, pode tirar o grito de gol da garganta. Após cobrança de falta de André Santos - em lance que foi muito contestado pelos jogadores do Juventude - a bola pipocou na área do Verdão e Fabinho finalizou. Antes de entrar, a bola rolou pela linha e tocou nas duas traves.

O gol não diminuiu os problemas do Timão, que continuou a ter problemas para criar no restante da partida. Desta forma, chamou o Juventude para seu campo e viu a equipe gaúcha crescer. Faltou à equipe da Serra Gaúcha um poder de fogo maior que traria muito mais problemas - e quem sabe mais uma decepção - para o time do técnico Mano Menezes. Mas Herrera ainda conseguiu ampliar o resultado, aos 45 da etapa final e deu números finais à partida.

Na próxima rodada, o Corinthians vai até Goiânia, onde enfrenta o Vila Nova. O time goiano ainda não perdeu dentro de casa na Série B. O Juventude pega o Brasiliense no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.