Painel com jornalistas brasileiros e com o repórter greco/britânico Iason Athanasiadis marcou discussão sobre a imprensa livre.
A liberdade de expressão precisa se tornar um valor consolidado junto à sociedade brasileira, e não um valor abstrato. A opinião foi dada por Fernando Rodrigues, repórter da Folha de São Paulo, após mediar o painel “Liberdade de expressão e o futuro do jornalismo: o que dizem os jornalistas”, promovido pela Associação Nacional de Jornais em Brasília. O debate fez parte da comemoração dos 30 anos da ANJ, criada em 17 de agosto de 1979.
A liberdade de expressão precisa se tornar um valor consolidado junto à sociedade brasileira, e não um valor abstrato. A opinião foi dada por Fernando Rodrigues, repórter da Folha de São Paulo, após mediar o painel “Liberdade de expressão e o futuro do jornalismo: o que dizem os jornalistas”, promovido pela Associação Nacional de Jornais em Brasília. O debate fez parte da comemoração dos 30 anos da ANJ, criada em 17 de agosto de 1979.
O painel começou com o repórter Iason Athanasiadis, freelancer e colaborador de jornais como o “The Washington Times”, que narrou a experiência de vinte dias de prisão no Irã, após os protestos da população contra o resultado da recente eleição. A pressão dos órgãos de segurança iranianos, a busca pelo controle dos meios digitais e virtuais, e até mesmo a tentativa de conseguir nomes de usuários e senhas dos presos em sites da internet de redes sociais fizeram parte das ações. Medo e revolta enquanto sentimentos existentes na população do Irã.
A partir daí instalou-se o debate entre os convidados: Marcelo Rech (Grupo RBS), Daniel Piza (O Estado de São Paulo), Carlos Eduardo Lins da Silva (Folha de São Paulo), Alon Feuerwerker (Correio Braziliense) e Merval Pereira (O Globo).
Marcelo Rech lembrou que os brasileiros conviveram decênios com a censura, situação alterada com a redemocratização e nova Constituição Federal. No entanto, questionou se vive-se hoje maior liberdade de expressão, uma vez que há muitas restrições legais para as empresas jornalísticas. Citou a “indústria do dano moral” que busca cercear a atuação da imprensa com ameaças econômico-financeiras, ou o direito ao sigilo – que passou a esconder atos de corrupção.
A pouca noção de cidadania e a aceitação da censura nos diversos meios de comunicação também fazem parte do “caldo cultural” que forma a sociedade brasileira, consideraram Daniel Piza e Carlos Eduardo Lins da Silva. Apesar disso, lembrou Alon Feuerwerker, as recentes decisões do Supremo Tribunal Federal acabando com a lei de imprensa e a obrigatoriedade do diploma para jornalista evidenciam que, no Brasil, o direito de expressão antecede os demais.
Em relação ao futuro do jornalismo, houve quase unanimidade quanto a necessidade da boa estruturação empresarial e econômica para apoiar a atividade. Conforme Merval Pereira, aprende-se nas redações as regras básicas da profissão, o que, quando e onde coletar e publicar informações. Daniel Piza discordou, considerando que alguns jornalistas em blogs efetuam excelente trabalho, mas a opinião não foi convergente no grupo. Apesar disso, disse Alon Feuerwerker, sempre será necessário que alguém pago busque a informação na fonte, e em que meio a informação vai ao ar (net, papel, rádio) não importa.
Para a presidente da ANJ, Judith Brito, que presidiu a abertura do painel, a liberdade de expressão deve ser sempre motivo de atenção da associação e da sociedade, pois “qualquer democracia consolidada é vigilante quanto a liberdade de expressão”. Lembrou que a ANJ sempre foi incisiva contra as agressões a essa liberdade.