A Petrobras anunciou nesta sexta-feira que a perfuração de dois novos poços na camada do pré-sal no litoral do Espírito Santo comprovou uma "expressiva descoberta" de petróleo do tipo leve (de melhor qualidade) na área chamada de Parque das Baleias, na parte norte da bacia de Campos.
A petrolífera estima as reservas descobertas entre 1,5 e 2 bilhões de barris de óleo equivalente. Os poços foram perfurados a cerca de 80 km da costa e a cerca de 5 km do poço 1-ESS-103A, que já produz com alta vazão desde setembro.
Ainda segundo a Petrobras, as reservas se encontram abaixo dos campos de óleo pesado de Baleia Franca, Baleia Azul e Jubarte, sob uma camada de sal de até 700 metros e em lâminas d' água de 1.348 e 1.426 metros.
As reservas da chamada área do Parque das Baleias já totalizam 3,5 bilhões de barris de óleo equivalente, incluindo as descobertas anunciadas hoje, segundo os cálculos da Petrobras.
No início de setembro, o gerente de Exploração e Produção da Petrobras no Espírito Santo, Márcio Felix Carvalho, havia avaliado as reservas potenciais do Parque das Baleias em 2 bilhões de barris de petróleo equivalente.
"Os excelentes resultados dessas duas perfurações, as ótimas respostas do Teste de Longa Duração do poço pioneiro 1-ESS-103A e as facilidades logísticas já instaladas e em instalação na área levam a Petrobras intensificar os estudos para acelerar a produção do pré-sal do Espírito Santo", afirmou a diretoria da estatal, em seu comunicado ao mercado.
As reservas conhecidas atualmente no Brasil somam cerca de 14 bilhões de barris de petróleo e gás --sem considerar o pré-sal.
Vários campos e poços de petróleo já foram descobertos no pré-sal, entre eles o de Tupi, que é considerado o principal, e outros, como Guará, Bem-Te-Vi, Carioca, Júpiter e Iara. Os campos de Tupi e Iara têm reservas dimensionadas entre 7 bilhões a 12 bilhões de barris.
Em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que estava satisfeito com a descoberta de novas reservas no Espírito Santo. "É mais petróleo para enfrentarmos esta crise que estamos vivendo", afirmou o presidente.
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) comemorou que as descobertas do pré-sal já dobraram as reservas de petróleo. "São dois poços gigantescos, cada um com um bilhão de barril de óleo leve, da melhor qualidade", disse Lobão, acrescentando que com isso as reservas brasileiras de petróleo estarão duplicadas.
Até agora, a Petrobras já havia feito descobertas na camada do pré-sal de reservas que totalizavam 12 bilhões de barris nas bacias de Santos e Campos. Com os dois novos poços no litoral do Espírito Santo, no Parque das Baleias, as reservas do pré-sal já garantidas chegam também a 14 bilhões de barris.
"É mais uma descoberta importante da Petrobras, de óleo leve, de excelente qualidade", afirmou Lobão, acrescentando que o potencial do pré-sal é "ainda maior". Somente na bacia de Santos, há uma avaliação de que as reservas do pré-sal podem superar 50 bilhões de barris.
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Fernando Costa
Fernando Costa, com apenas 30 anos, já foi vice-presidente da União Guarulhense de Estudantes Secundaristas (UGES), Membro da executiva da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Foi assessor parlamentar durante cinco anos e responsável pela apresentação de inúmeros projetos de lei. Atualmente é editor do Jornal Primeira Página e Diretor Presidente da Agência FFC Publicidade.
21 novembro 2008
Selton Melllo lança seu primeiro filme como diretor.
Da Folha Online
"Não tenho lido as críticas publicadas", diz Selton Mello
Estréia do ator Selton Mello na direção, o filme "Feliz Natal" chega nesta sexta-feira aos cinemas depois de fazer carreira no circuito de festivais.
"Feliz Natal" mostra um homem com fortes traumas reavaliando pontos de sua vida e seu contato com personagens do passado agora envoltos em sérios problemas. Veja no Guia da Folha Online onde assistir o filme em São Paulo.
Selton conta em entrevista à Folha Online que se identifica com o diretor Fernando Meirelles e evita ler críticas sobre seu trabalho.
"Li algo do Fernando Meirelles que não leu as críticas do 'Blindness' ['Ensaio sobre a Cegueira'] e me identifiquei com isso e não estou lendo também. Se ela é ruim você se sente a pior pessoa do mundo, se ela é maravilhosa você acha que é a reencarnação do Orson Welles", brinca.
Sobre a "suposta polêmica" envolvendo cenas de nudez em seu filme, iniciada após um manifesto do ator Pedro Cardoso, Selton afirma que "esse assunto é passado".
O ator-diretor também afirmou que gostaria de adaptar "O Alienista", de Machado de Assis, para o cinema, mas que certamente este não será seu segundo projeto como diretor.
Leia abaixo trechos da entrevista concedida por e-email.
Folha Online - Selton, você acredita que o público vai receber "Feliz Natal" tão bem quanto a crítica e as fatias mais seletivas da audiência (como os freqüentadores da Mostra de São Paulo)?
Selton Mello - Não sei. Sinceramente. Público de cinema é uma incógnita. Os festivais são nichos onde está o consumidor apaixonado de cinema, claro. Mas acho que funcionam para esquentar os tamborins. Meu filme é denso, mas não hermético. Tenho viajado por festivais pelo país e o público reage muito bem ao filme. Acabamos de levar nove prêmios no Festival de Goiânia, incluindo melhor filme, direção, atriz (para Darlene Gloria), roteiro, fotografia... Foi bem emocionante o reconhecimento.
Eu tive ótimas críticas e outras nem tanto, ou até duras, e confesso que não tenho lido as críticas publicadas, boas e ruins. Li algo do Fernando Meirelles que não leu as críticas do "Blindness" ("Ensaio sobre a Cegueira", em português) e me identifiquei com isso e não estou lendo também. Se ela é ruim você se sente a pior pessoa do mundo, se ela é maravilhosa você acha que é a reencarnação do Orson Welles (risos). Para se manter vivo e alheio a isso tudo, você tem que estar em paz com o filme que realizou. E durmo tranqüilo, com a consciência de ter feito um belo primeiro filme, com qualidades e imperfeições, como a vida.
Folha Online - Apesar do tema "natalino", o filme é bastante forte e foge do clássico que as famílias procuram perto da festa. Foi uma decisão estratégica a estréia cerca de um mês antes do Natal, para driblar a concorrência com os filmes-família típicos da época?
Mello - Acho que filmes típicos de Natal já têm aos montes. Todos muito felizes, animados e esperançosos. E acho ótimo. Mas o Natal tem várias vertentes. Quis filmá-lo porque é um momento que as pessoas estão no limite, qualquer comentário pode virar uma explosão de constrangimentos. Coisas que estavam guardadas há anos. Há uma espécie de jogo oculto, umas simulações de afeto, umas forçadas de barra, regadas a peru, arroz de forno e batatas.
Acho o Natal bem melancólico. Não seria um filme meu se fosse uma festa de Papai Noel com presentes e renas de nariz vermelho.
Folha Online - Você pretende dirigir mais? Já tem algum projeto em vista? Você acredita que, em geral, atores podem se tornar bons diretores?
Mello - Fiquei fascinado com a direção. Quero dirigir muito mais. Acho que atores podem ser bons diretores sim, porque já têm experiência do outro lado. Olha o Matheus Nachtergaele, Sean Penn, Clint Eastwood. E quando dirigimos, passamos a compreender melhor o processo todo. Eu me sinto um ator muito mais consciente agora. Dirigir é visceral, doloroso, solitário e altamente apaixonante.
Penso em filmar "O Alienista", de Machado de Assis. Mas, definitivamente não será meu segundo filme, mas já trabalho no roteiro com meu parceiro Marcelo Vindicatto. Me agrada a idéia de levar para as telas essa história que mostra o limite tênue da razão e da insânia.
Folha Online - Você acredita que a crise possa, a um curto prazo, afetar o mercado cinematográfico?
Mello - Acho que pode afetar tudo, inclusive as artes. Fiquemos atentos para o que está por vir...
Folha Online - Quanto à meia-entrada, você é a favor de algum tipo de restrição em relação ao benefício?
Mello - Sinceramente, acho que a meia-entrada deveria ser revista. Os valores aumentaram depois que isso virou lei. E se formou um sistema vicioso: quem não é estudante não consome cultura tanto quanto gostaria. E qual foi a solução, para parte desse grupo? Falsificar carteirinha. Isso, para ter acesso a uma coisa que poderia pagar, se fosse mais barato. Mas, se for mais barato, nada de lucro para as empresas (porque tem a meia-entrada).
Loucura, não? Tostines vende mais por quê? Mas uma coisa é certa, os ingressos de cinema são muito caros e afastam o publico. "Meu Nome não é Johnny" é o grande sucesso do ano, com 2,5 milhões de espectadores. Muito? Acho pouco. Se custasse mais barato faríamos 12 milhões de espectadores. Alguma coisa tem que ser revista.
Folha Online - E a pirataria? Qual é a sua posição a respeito?
Mello - Tem a ver com a resposta anterior. Sendo mais barato, ninguém precisaria de ver um filme com a qualidade debilitada.
Folha Online - Quanto à nudez, por quê você acha que o filme gerou tal polêmica? A discussão já está resolvida?
Mello - Não sei o motivo da polêmica, meu nome e meu filme não foram citados diretamente. Foi tudo uma série de suposições. E não me interesso por suposições, e sim por cinema como uma forma de poesia. Mas penso que esse assunto é passado, assim como o a morte de Kennedy e o desaparecimento do menino Carlinhos (risos).
"Não tenho lido as críticas publicadas", diz Selton Mello
Estréia do ator Selton Mello na direção, o filme "Feliz Natal" chega nesta sexta-feira aos cinemas depois de fazer carreira no circuito de festivais.
"Feliz Natal" mostra um homem com fortes traumas reavaliando pontos de sua vida e seu contato com personagens do passado agora envoltos em sérios problemas. Veja no Guia da Folha Online onde assistir o filme em São Paulo.
Selton conta em entrevista à Folha Online que se identifica com o diretor Fernando Meirelles e evita ler críticas sobre seu trabalho.
"Li algo do Fernando Meirelles que não leu as críticas do 'Blindness' ['Ensaio sobre a Cegueira'] e me identifiquei com isso e não estou lendo também. Se ela é ruim você se sente a pior pessoa do mundo, se ela é maravilhosa você acha que é a reencarnação do Orson Welles", brinca.
Sobre a "suposta polêmica" envolvendo cenas de nudez em seu filme, iniciada após um manifesto do ator Pedro Cardoso, Selton afirma que "esse assunto é passado".
O ator-diretor também afirmou que gostaria de adaptar "O Alienista", de Machado de Assis, para o cinema, mas que certamente este não será seu segundo projeto como diretor.
Leia abaixo trechos da entrevista concedida por e-email.
Folha Online - Selton, você acredita que o público vai receber "Feliz Natal" tão bem quanto a crítica e as fatias mais seletivas da audiência (como os freqüentadores da Mostra de São Paulo)?
Selton Mello - Não sei. Sinceramente. Público de cinema é uma incógnita. Os festivais são nichos onde está o consumidor apaixonado de cinema, claro. Mas acho que funcionam para esquentar os tamborins. Meu filme é denso, mas não hermético. Tenho viajado por festivais pelo país e o público reage muito bem ao filme. Acabamos de levar nove prêmios no Festival de Goiânia, incluindo melhor filme, direção, atriz (para Darlene Gloria), roteiro, fotografia... Foi bem emocionante o reconhecimento.
Eu tive ótimas críticas e outras nem tanto, ou até duras, e confesso que não tenho lido as críticas publicadas, boas e ruins. Li algo do Fernando Meirelles que não leu as críticas do "Blindness" ("Ensaio sobre a Cegueira", em português) e me identifiquei com isso e não estou lendo também. Se ela é ruim você se sente a pior pessoa do mundo, se ela é maravilhosa você acha que é a reencarnação do Orson Welles (risos). Para se manter vivo e alheio a isso tudo, você tem que estar em paz com o filme que realizou. E durmo tranqüilo, com a consciência de ter feito um belo primeiro filme, com qualidades e imperfeições, como a vida.
Folha Online - Apesar do tema "natalino", o filme é bastante forte e foge do clássico que as famílias procuram perto da festa. Foi uma decisão estratégica a estréia cerca de um mês antes do Natal, para driblar a concorrência com os filmes-família típicos da época?
Mello - Acho que filmes típicos de Natal já têm aos montes. Todos muito felizes, animados e esperançosos. E acho ótimo. Mas o Natal tem várias vertentes. Quis filmá-lo porque é um momento que as pessoas estão no limite, qualquer comentário pode virar uma explosão de constrangimentos. Coisas que estavam guardadas há anos. Há uma espécie de jogo oculto, umas simulações de afeto, umas forçadas de barra, regadas a peru, arroz de forno e batatas.
Acho o Natal bem melancólico. Não seria um filme meu se fosse uma festa de Papai Noel com presentes e renas de nariz vermelho.
Folha Online - Você pretende dirigir mais? Já tem algum projeto em vista? Você acredita que, em geral, atores podem se tornar bons diretores?
Mello - Fiquei fascinado com a direção. Quero dirigir muito mais. Acho que atores podem ser bons diretores sim, porque já têm experiência do outro lado. Olha o Matheus Nachtergaele, Sean Penn, Clint Eastwood. E quando dirigimos, passamos a compreender melhor o processo todo. Eu me sinto um ator muito mais consciente agora. Dirigir é visceral, doloroso, solitário e altamente apaixonante.
Penso em filmar "O Alienista", de Machado de Assis. Mas, definitivamente não será meu segundo filme, mas já trabalho no roteiro com meu parceiro Marcelo Vindicatto. Me agrada a idéia de levar para as telas essa história que mostra o limite tênue da razão e da insânia.
Folha Online - Você acredita que a crise possa, a um curto prazo, afetar o mercado cinematográfico?
Mello - Acho que pode afetar tudo, inclusive as artes. Fiquemos atentos para o que está por vir...
Folha Online - Quanto à meia-entrada, você é a favor de algum tipo de restrição em relação ao benefício?
Mello - Sinceramente, acho que a meia-entrada deveria ser revista. Os valores aumentaram depois que isso virou lei. E se formou um sistema vicioso: quem não é estudante não consome cultura tanto quanto gostaria. E qual foi a solução, para parte desse grupo? Falsificar carteirinha. Isso, para ter acesso a uma coisa que poderia pagar, se fosse mais barato. Mas, se for mais barato, nada de lucro para as empresas (porque tem a meia-entrada).
Loucura, não? Tostines vende mais por quê? Mas uma coisa é certa, os ingressos de cinema são muito caros e afastam o publico. "Meu Nome não é Johnny" é o grande sucesso do ano, com 2,5 milhões de espectadores. Muito? Acho pouco. Se custasse mais barato faríamos 12 milhões de espectadores. Alguma coisa tem que ser revista.
Folha Online - E a pirataria? Qual é a sua posição a respeito?
Mello - Tem a ver com a resposta anterior. Sendo mais barato, ninguém precisaria de ver um filme com a qualidade debilitada.
Folha Online - Quanto à nudez, por quê você acha que o filme gerou tal polêmica? A discussão já está resolvida?
Mello - Não sei o motivo da polêmica, meu nome e meu filme não foram citados diretamente. Foi tudo uma série de suposições. E não me interesso por suposições, e sim por cinema como uma forma de poesia. Mas penso que esse assunto é passado, assim como o a morte de Kennedy e o desaparecimento do menino Carlinhos (risos).
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