O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, encaminhou ao ministro da Justiça, Tarso Genro, ofício pedindo esclarecimentos sobre o funcionamento do Guardião, sistema de monitoramento telefônico desenvolvido por um grupo de policiais federais e em utilização pela PF.
Eis o ofício:
"Ilustre Ministro.
Tramita no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil a Proposição nº 2008.18.05529-01, cuja íntegra dos autos remeto anexada, tratando do Sistema Guardião.
Com o intuito de instruir o procedimento em tela, reporto-me aos termos do despacho nele proferido pelo Relator, eminente Conselheiro Federal Cláudio Pereira de Souza Neto (RJ), ao tempo em que solicito os bons préstimos de V.Exª no sentido do encaminhamento de esclarecimentos a propósito das seguintes indagações:
1. Como é o funcionamento do equipamento denominado guardião?
2. Há outros equipamentos que funcionam da mesma forma que o guardião?
3. É possível, através desse equipamento, criar uma rede interligada de gravações simultâneas? Em outros termos: quando um telefone grampeado entra em contato com outro telefone, este último fica também automaticamente grampeado?
4. Qual é o papel da companhia telefônica? Com a utilização do guardião ou assemelhados é possível a realização do grampo sem a participação da companhia telefônica?
5. A polícia federal possui qual equipamento? Está em estudo a aquisição de outro equipamento semelhante, como vem noticiando a imprensa?
6. Qual é o tipo de controle incidente sobre a aquisição desse tipo de equipamento no Brasil? Quem pode adquiri-lo?
7. Quais órgãos da administração pública possuem esse equipamento no Brasil?
8. Empresas privadas podem adquiri-lo?"
Lado B, Cinema, Cultura, Jornalismo, Bossa Nova, Política, Futebol e Ctrl C + Ctrl V.
Fernando Costa
Fernando Costa, com apenas 30 anos, já foi vice-presidente da União Guarulhense de Estudantes Secundaristas (UGES), Membro da executiva da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Foi assessor parlamentar durante cinco anos e responsável pela apresentação de inúmeros projetos de lei. Atualmente é editor do Jornal Primeira Página e Diretor Presidente da Agência FFC Publicidade.
19 março 2009
Corredor Metropolitano Guarulhos-São Paulo começa a operar em 2010

Durante encontro com o prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida, realizado nesta quarta-feira, dia 18, no Paço Municipal, o diretor-presidente da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), Júlio de Freitas Gonçalves, garantiu que o Corredor Metropolitano Guarulhos-São Paulo, no trecho Taboão/Vila Galvão, iniciará a operação comercial em novembro de 2010. Para tanto, ele espera que as obras comecem em janeiro do próximo ano. O custo total do empreendimento, cuja extensão será de 22,5 km e irá até o bairro do Tucuruvi, é de R$ 219 milhões.
A reunião desta quarta-feira serviu para consolidar a parceria entre o Governo de Estado e o município, e para assegurar que o trecho de Guarulhos será viabilizado independentemente do outro, em São Paulo. “O trecho entre a Vila Galvão e o Tucuruvi não poderá ser entregue no mesmo espaço de tempo, porque envolve uma série de desapropriações que acabarão inviabilizando o cronograma”, declarou. Freitas.
Segundo ele, a execução da obra se encontra agora na etapa de elaboração dos projetos funcional, básico e executivo que, a seu ver, é a parte mais demorada, já que engloba as questões burocráticas. “Nossa maior preocupação é quanto ao viés político do empreendimento, por ser 2010 um ano eleitoral e último da atual gestão no Estado”, ponderou.
O prefeito Sebastião Almeida garantiu que, independente de partidos políticos, os governantes são eleitos para servir a população e proporcionar o bem-estar social. Em tom de brincadeira, Almeida disse que se o governador José Serra termina o seu mandato no ano que vem, ele ainda está no início de governo e, portanto, precisa mostrar serviço. “Da nossa parte, vamos colaborar para que as coisas andem o mais rápido possível”, declarou.
Como o Corinthians mudou do Carrefour para a Batavo
Fábio Kadow
Aquela que parecia ser a maior vantagem do contrato com o Carrefour, a chamada mídia cooperada com seus fornecedores, acabou tornando-se o maior empecilho para o cancelamento de um contrato que estava 99% certo na mesa dos dirigentes corintianos. Uma virada de mesa trouxe de volta a Batavo, parceira em 1999 e 2000, para o uniforme do alvinegro paulista.
De última hora, o Corinthians não aceitou esse modelo, em que a rede de supermercados iria, a cada jogo ou por um determinado período, estampar também as marcas dos seus fornecedores, que ajudariam, claro, a pagar os R$ 20 milhões por ano. O Timão pediu mais dinheiro por isso. O Carrefour não aceitou.
Se o objetivo inicial, ainda no fim do ano passado, era chegar aos sonhados R$ 30 milhões só com o patrocínio principal da camisa, podemos dizer que a diretoria do Corinthians falhou. Ou melhor, caiu na real. Nos últimos três meses várias negociações foram falhando por causa dessa irredutibilidade dos dirigentes do clube, que exigiam valores exagerados para a atual situação econômica do país e do mundo.
A camisa do Corinthians vale R$ 30 milhões por ano? Vale, até mais. Segundo o último estudo da Informídia, o Timão ficou em segundo lugar no ranking de visibilidade de 2008, com uma mídia espontânea estimada de R$ 2,694 bilhões, perdendo apenas para o Palmeiras, que teve R$ 2, 754 bilhões. Mas não nesse momento.
Primeiro pelo motivo já citado, segundo porque o marketing esportivo no Brasil ainda está dando seus primeiros passos rumo a profissionalização e, consequentemente, a valores mais altos (faça uma comparação entre os valores de patrocínio contratados atualmente pelos grandes clubes com aqueles de dez anos atrás, por exemplo. O mesmo para os direitos de televisão…).
A estratégia de vender patrocínios por jogos rendeu ao Corinthians um bom dinheiro, principalmente no caso do clássico contra o Palmeiras, quando Visa, Panasonic e Lupo trouxeram cerca de R$ 700 mil aos cofres. Mas quantos Palmeiras e Corinthians terão no ano? E mais: quantas “voltas de Ronaldo” teremos no ano? Ficou claro o risco dessa estratégia no último fim de semana, quando a fabricante de motos Dafra desistiu do negócio ao saber que Ronaldo não iria jogar contra o Santo André.
O tempo passou, a água foi subindo, a soberba diminuindo e a proposta de R$ 20 milhões do Carrefour foi amadurecendo. Mas, aos 45 minutos do segundo tempo, por esse pequeno detalhe que falamos no começo do texto, o negócio melou.
Chega a vez da Batavo, trazida pela agência de publicidade Dez Propaganda e pela de marketing esportivo Off Field. Ah, quanto a Batavo vai pagar? Um pouco menos dos que os R$ 20 milhões do Carrefour. Serão R$ 18 milhões por 10 meses. Bem, ainda restam o calção e a manga, que, como sabemos são de Ronaldo.
Aquela que parecia ser a maior vantagem do contrato com o Carrefour, a chamada mídia cooperada com seus fornecedores, acabou tornando-se o maior empecilho para o cancelamento de um contrato que estava 99% certo na mesa dos dirigentes corintianos. Uma virada de mesa trouxe de volta a Batavo, parceira em 1999 e 2000, para o uniforme do alvinegro paulista.
De última hora, o Corinthians não aceitou esse modelo, em que a rede de supermercados iria, a cada jogo ou por um determinado período, estampar também as marcas dos seus fornecedores, que ajudariam, claro, a pagar os R$ 20 milhões por ano. O Timão pediu mais dinheiro por isso. O Carrefour não aceitou.
Se o objetivo inicial, ainda no fim do ano passado, era chegar aos sonhados R$ 30 milhões só com o patrocínio principal da camisa, podemos dizer que a diretoria do Corinthians falhou. Ou melhor, caiu na real. Nos últimos três meses várias negociações foram falhando por causa dessa irredutibilidade dos dirigentes do clube, que exigiam valores exagerados para a atual situação econômica do país e do mundo.
A camisa do Corinthians vale R$ 30 milhões por ano? Vale, até mais. Segundo o último estudo da Informídia, o Timão ficou em segundo lugar no ranking de visibilidade de 2008, com uma mídia espontânea estimada de R$ 2,694 bilhões, perdendo apenas para o Palmeiras, que teve R$ 2, 754 bilhões. Mas não nesse momento.
Primeiro pelo motivo já citado, segundo porque o marketing esportivo no Brasil ainda está dando seus primeiros passos rumo a profissionalização e, consequentemente, a valores mais altos (faça uma comparação entre os valores de patrocínio contratados atualmente pelos grandes clubes com aqueles de dez anos atrás, por exemplo. O mesmo para os direitos de televisão…).
A estratégia de vender patrocínios por jogos rendeu ao Corinthians um bom dinheiro, principalmente no caso do clássico contra o Palmeiras, quando Visa, Panasonic e Lupo trouxeram cerca de R$ 700 mil aos cofres. Mas quantos Palmeiras e Corinthians terão no ano? E mais: quantas “voltas de Ronaldo” teremos no ano? Ficou claro o risco dessa estratégia no último fim de semana, quando a fabricante de motos Dafra desistiu do negócio ao saber que Ronaldo não iria jogar contra o Santo André.
O tempo passou, a água foi subindo, a soberba diminuindo e a proposta de R$ 20 milhões do Carrefour foi amadurecendo. Mas, aos 45 minutos do segundo tempo, por esse pequeno detalhe que falamos no começo do texto, o negócio melou.
Chega a vez da Batavo, trazida pela agência de publicidade Dez Propaganda e pela de marketing esportivo Off Field. Ah, quanto a Batavo vai pagar? Um pouco menos dos que os R$ 20 milhões do Carrefour. Serão R$ 18 milhões por 10 meses. Bem, ainda restam o calção e a manga, que, como sabemos são de Ronaldo.
17 março 2009
Corinthians tem melhor início de ano desde 1936
Texto extraído do sitio UOL
Os mais supersticiosos dizem que a virada de ano é a hora de lavar a alma, começar tudo de novo. No Corinthians, 2009 não poderia ter começado melhor. Depois de disputar, e conquistar, a Série B na temporada passada, o time comandando pelo técnico Mano Menezes tem seu melhor início de ano desde 1936.
Na atual temporada já são 16 partidas sem saber o que é perder, incluindo amistoso e jogos oficiais: 14 pelo Campeonato Paulista, um pela Copa do Brasil e a partida de festa contra o Estudiantes, em janeiro, quando o elenco foi apresentado oficialmente à torcida, no estádio do Pacaembu.No total, são dez vitórias e seis empates no ano de 2009 (veja quadro ao lado). A última derrota aconteceu pela Série B, por 2 a 0, para o América-RN, quando o Corinthians atuou com a equipe reserva.O clube do Parque São Jorge não tinha um início tão bom há 73 anos. Na época, quando o futebol ainda buscava a profissionalização, o time comandado pelo treinador José Foquer ficou todo o ano de 1936 sem perder. Foram 31 jogos invictos, entre amistosos e partidas oficiais.No entanto, o único título conquistado pela equipe alvinegra naquele ano foi o Torneio Início, após uma vitória e três empates, em partidas que não tinham 90 minutos de duração. Já pelo Campeonato Paulista, foram 13 jogos e 13 vitórias no ano. Na final, que só seria disputada em 1937, acabaria derrotado pelo Palestra Itália em uma decisão de três jogos, depois de duas derrotas e um empate.Dentre os 14 amistosos feitos pelo Corinthians em 1936, foram 12 vitórias e apenas dois empates. Os adversários variavam desde o Ypiranga e do Botafogo, ambos da Bahia, até arquirrivais, como São Paulo e Santos. Ninguém era páreo para o ataque que tinha Teleco, Tedesco, Rato e Wílson.No ano atual, o próximo desafio corintiano é o Santos, no domingo, em jogo válido pela 15ª rodada do Campeonato Paulista. Após o empate por 0 a 0 com o Santo André no último domingo, atuando fora de casa, o capitão e zagueiro William celebrou a manutenção da invencibilidade."Tivemos um jogo difícil em Santo André, perdemos a oportunidade de vencer, pois tivemos um jogador a mais durante muito tempo. Mas vamos para o clássico com a invencibilidade intacta", afirmou o jogador corintiano.Para o volante Fabinho, que também tem atuado como lateral-direito, a série invicta motiva todo o elenco, mas não pode ser um fator que pese contra. "Eu acho importante estarmos tanto tempo sem perder, mas isso não pode jogar contra nós e não devemos comemorar demais também. Nós não ganhamos nada", concluiu.
Os mais supersticiosos dizem que a virada de ano é a hora de lavar a alma, começar tudo de novo. No Corinthians, 2009 não poderia ter começado melhor. Depois de disputar, e conquistar, a Série B na temporada passada, o time comandando pelo técnico Mano Menezes tem seu melhor início de ano desde 1936.
Na atual temporada já são 16 partidas sem saber o que é perder, incluindo amistoso e jogos oficiais: 14 pelo Campeonato Paulista, um pela Copa do Brasil e a partida de festa contra o Estudiantes, em janeiro, quando o elenco foi apresentado oficialmente à torcida, no estádio do Pacaembu.No total, são dez vitórias e seis empates no ano de 2009 (veja quadro ao lado). A última derrota aconteceu pela Série B, por 2 a 0, para o América-RN, quando o Corinthians atuou com a equipe reserva.O clube do Parque São Jorge não tinha um início tão bom há 73 anos. Na época, quando o futebol ainda buscava a profissionalização, o time comandado pelo treinador José Foquer ficou todo o ano de 1936 sem perder. Foram 31 jogos invictos, entre amistosos e partidas oficiais.No entanto, o único título conquistado pela equipe alvinegra naquele ano foi o Torneio Início, após uma vitória e três empates, em partidas que não tinham 90 minutos de duração. Já pelo Campeonato Paulista, foram 13 jogos e 13 vitórias no ano. Na final, que só seria disputada em 1937, acabaria derrotado pelo Palestra Itália em uma decisão de três jogos, depois de duas derrotas e um empate.Dentre os 14 amistosos feitos pelo Corinthians em 1936, foram 12 vitórias e apenas dois empates. Os adversários variavam desde o Ypiranga e do Botafogo, ambos da Bahia, até arquirrivais, como São Paulo e Santos. Ninguém era páreo para o ataque que tinha Teleco, Tedesco, Rato e Wílson.No ano atual, o próximo desafio corintiano é o Santos, no domingo, em jogo válido pela 15ª rodada do Campeonato Paulista. Após o empate por 0 a 0 com o Santo André no último domingo, atuando fora de casa, o capitão e zagueiro William celebrou a manutenção da invencibilidade."Tivemos um jogo difícil em Santo André, perdemos a oportunidade de vencer, pois tivemos um jogador a mais durante muito tempo. Mas vamos para o clássico com a invencibilidade intacta", afirmou o jogador corintiano.Para o volante Fabinho, que também tem atuado como lateral-direito, a série invicta motiva todo o elenco, mas não pode ser um fator que pese contra. "Eu acho importante estarmos tanto tempo sem perder, mas isso não pode jogar contra nós e não devemos comemorar demais também. Nós não ganhamos nada", concluiu.
06 março 2009
Arcebispo diz que suspeito de violentar menina não pode ser excomungado
Religioso condenou mãe e médicos envolvidos em aborto.Imprensa italiana diz que Vaticano apoia decisão.
O caso da menina de 9 anos que interrompeu a gravidez de gêmeos causou comoção e revolta. A repercussão foi ainda maior pela reação da Igreja Católica ao aborto provocado pelos médicos. O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou a mãe e a equipe médica envolvida no procedimento.
Nesta sexta-feira (6), o arcebispo disse que o padrasto, suspeito de violentar a menina e ser pai dos bebês, não pode ser excomungado. "Ele cometeu um crime enorme, mas não está incluído na excomunhão", afirmou Sobrinho. "Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente." A equipe que participou do aborto está recebendo e-mails de médicos do país inteiro. Foram mais de 500 mensagens de apoio até a manhã desta sexta. Para os especialistas, não havia dúvida sobre a necessidade de interromper a gravidez e, sobre essa conduta, não cabe intervenção da Igreja.
O médico Rivaldo Albuquerque, que participou do atendimento, já havia sido excomungado antes. Ele entrou em choque com a Igreja Católica desde que participou da criação de um serviço de atenção às mulheres violentadas, que faz o aborto nos casos previstos por lei. Católico praticante, ele disse que não vai deixar de assistir à missa.
Quem é excomungado fica proibido de receber sacramentos como batismo, comunhão, crisma e casamento.
Repercussão
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota em que destaca o mandamento "não matarás" e reforça as críticas feitas ao aborto.
A imprensa italiana publicou, nesta sexta, reportagens afirmando que o Vaticano apóia a decisão do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, de excomungar os envolvidos na interrupção da gravidez de uma menina de 9 anos.
O site do jornal italiano "Corriere della Serra" mostra um texto sobre o caso. Em entrevista, o padre Gianfrancesco Grieco, diretor do Pontifício Conselho para a Família, disse que o tema é "muito, muito delicado", mas a Igreja não pode "trair" seus princípios de defender a vida desde a concepção até a vida natural, mesmo diante de "um drama humano tão forte".
Ainda de acordo com o texto, o padre disse que "o aborto não é uma solução, é um atalho" e reprovou a atitude dos médicos.
Alta
A gravidez da criança foi descoberta na semana passada, depois que ela reclamou de dores e foi levada a uma unidade de saúde. Os médicos classificaram a gestação de 15 semanas como de alto risco, pela idade e por ser de gêmeos. Segundo os médicos, a mãe pediu para que o aborto fosse realizado.
O padrasto da menina foi preso, suspeito de ter abusado da garota e ser pai dos bebês que ela esperava. Ele deve ser indiciado por estupro. De acordo com a polícia, a menina sofria violência sexual desde os 6 anos. A menina teve alta nesta sexta-feira e passa bem, segundo o diretor do hospital em que ela estava internada, Sérgio Cabral. Ela e a mãe devem ser encaminhadas para um abrigo no Recife, por determinação do Ministério Público. Elas não devem voltar imediatamente para Alagoinha (PE), onde moravam.
O caso da menina de 9 anos que interrompeu a gravidez de gêmeos causou comoção e revolta. A repercussão foi ainda maior pela reação da Igreja Católica ao aborto provocado pelos médicos. O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou a mãe e a equipe médica envolvida no procedimento.
Nesta sexta-feira (6), o arcebispo disse que o padrasto, suspeito de violentar a menina e ser pai dos bebês, não pode ser excomungado. "Ele cometeu um crime enorme, mas não está incluído na excomunhão", afirmou Sobrinho. "Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente." A equipe que participou do aborto está recebendo e-mails de médicos do país inteiro. Foram mais de 500 mensagens de apoio até a manhã desta sexta. Para os especialistas, não havia dúvida sobre a necessidade de interromper a gravidez e, sobre essa conduta, não cabe intervenção da Igreja.
O médico Rivaldo Albuquerque, que participou do atendimento, já havia sido excomungado antes. Ele entrou em choque com a Igreja Católica desde que participou da criação de um serviço de atenção às mulheres violentadas, que faz o aborto nos casos previstos por lei. Católico praticante, ele disse que não vai deixar de assistir à missa.
Quem é excomungado fica proibido de receber sacramentos como batismo, comunhão, crisma e casamento.
Repercussão
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota em que destaca o mandamento "não matarás" e reforça as críticas feitas ao aborto.
A imprensa italiana publicou, nesta sexta, reportagens afirmando que o Vaticano apóia a decisão do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, de excomungar os envolvidos na interrupção da gravidez de uma menina de 9 anos.
O site do jornal italiano "Corriere della Serra" mostra um texto sobre o caso. Em entrevista, o padre Gianfrancesco Grieco, diretor do Pontifício Conselho para a Família, disse que o tema é "muito, muito delicado", mas a Igreja não pode "trair" seus princípios de defender a vida desde a concepção até a vida natural, mesmo diante de "um drama humano tão forte".
Ainda de acordo com o texto, o padre disse que "o aborto não é uma solução, é um atalho" e reprovou a atitude dos médicos.
Alta
A gravidez da criança foi descoberta na semana passada, depois que ela reclamou de dores e foi levada a uma unidade de saúde. Os médicos classificaram a gestação de 15 semanas como de alto risco, pela idade e por ser de gêmeos. Segundo os médicos, a mãe pediu para que o aborto fosse realizado.
O padrasto da menina foi preso, suspeito de ter abusado da garota e ser pai dos bebês que ela esperava. Ele deve ser indiciado por estupro. De acordo com a polícia, a menina sofria violência sexual desde os 6 anos. A menina teve alta nesta sexta-feira e passa bem, segundo o diretor do hospital em que ela estava internada, Sérgio Cabral. Ela e a mãe devem ser encaminhadas para um abrigo no Recife, por determinação do Ministério Público. Elas não devem voltar imediatamente para Alagoinha (PE), onde moravam.
Assinar:
Postagens (Atom)