Arranjou mil problemas. Estava mesmo afinada com outra ala, a ala das construtoras que tomam dinheiro público a perder de vista para construir novos Elefantes Brancos Brasil afora.
A estratégia deu certo de novo. O Morumbi não passou no rigoroso teste do Caderno de Encargos da FIFA. Rigoroso para o Brasil, e para o Morumbi, diga-se de passagem.
Para se adaptar a tudo o que a entidade pedia sem ter a garantia que iria fazer a abertura da Copa, o gasto seria de 650 milhões de reais hoje, mas poderia aumentar mais ainda.
Muito dinheiro para tanta incerteza. Podia acabar fazendo a abertura e pelo menos mais uns cinco jogos, mas o custo é alto demais.
Haveria uma parte do dinheiro emprestado pelo BNDES, mas ganharia o quê com isso? Alguns trocadinhos da Copa e uma dívida futura.
Não valia à pena. O São Paulo F.C. tirou um peso das costas embora saiba que precisa melhorar o seu estádio que já tem muita coisa ultrapassada por lá.
A FIFA sempre gostou de construir estádio ou obrigar a construção de arenas gigantescas em vários países.
O dinheiro não sai do bolso dela.
Depois deixa a conta para o país sede ou para o clube dono do estádio e vai pressionar outra sede da Copa do Mundo.
Os jornalistas que visitam estádios todo o dia nesta Copa da África não entendem toda essa exigência com o Morumbi, pois o Caderno de Encargos lá não valeu.
O problema é que o Morumbi sempre disputou com um estádio fantasma que querem construir a todo custo na cidade de São Paulo.
Há um grupo que se diz ligado ao esporte na capital que aposta que quanto mais o tempo passar menos licitação será necessário para construir uma arena gigante sem prestar contas a ninguém.
É por esse ralo que sairá o nosso dinheiro. Dinheiro que deve ser investido em saúde, educação e transporte. Contam com apoio até de gente do governo para essa empreitada. Um negócio asqueroso e que cheira muito mal.
Quem utilizaria no futuro um estádio desse porte ou do porte que exige a FIFA para uma abertura de Copa do Mundo.
O Corinthians, que tem torcedor número um o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é o principal candidato.
Ganharia um estádio de graça da cidade de São Paulo e abandonaria às moscas o Pacaembu.
Quem jogaria no Pacaembu a partir disso? Será que é um bom negócio para a cidade?
O Piritubão é um sonho de alguns aloprados, mas cujo fantasma começa a sair das sombras com o veto oficial ao Morumbi.
Acho que todos nós temos que ficar atentos a essas manobras.
Se for o caso que São Paulo não tenha Copa do Mundo. Não nos fará nenhuma falta.
Muito menos um novo estádio construído com o nosso dinheiro e com manutenção dispendiosa.
O que não pode agora é Prefeitura e Governo do Estado pararem de fazer obras necessárias em São Paulo.
O metrô tem que continuar se expandindo, coisa que já devia ter sido feita há muito tempo, e outras ações para o bem da cidade também têm que continuar.
No restante do Brasil a desculpa de que tudo girava em torno da futura sede da Copa do Mundo é esfarrapada. São Paulo não pode ter suas obras vinculadas a Copa, afinal vivemos aqui todos os dias e não apenas em 2014.
Após a avaliação dos estádios serão avaliadas a obras de aperfeiçoamento em cada cidade sede. Aí que quero ver o Caderno da FIFA vale alguma coisa, porque a grande maioria das cidades sedes não tem sistema de transporte. Belo Horizonte não tem nenhuma ligação rápida com aeroporto e nem com o Mineirão, não tem rede de hotelaria e não tem condições de construir metrô em três anos, quer dizer que está fora da copa?
Belém não tem aeroporto decente, Salvador tem sérios problemas de infra-estrutura, o Rio de Janeiro tem parte da cidade dominada pelo crime organizado e Porto Alegre tem um estádio muito pior que o Morumbi para ser reformado. Estão fora da copa?
E outra, a maioria destas cidades não tem estádios, vão ser construídos, será que dá tempo? E se o governo mudar e os tucanos paulistas ganharem as eleições e mudar tudo. Já pensou se o Serra ganhar e mantiver o discurso de nada de dinheiro publico. Aí não vai ter Mineirão, Fonte Nova e Maracanã. Não vai ter Copa! Quem vai investir um bilhão para construir estádios e não ter nenhum retorno.
É bom lembrar que o discurso do PSDB de não investir dinheiro publico é eleitoreiro, porque se eles estivessem no esquema fariam o que sempre fazem meter a mão na grana junto com Ricardo Teixeira e a FIFA.
Prefeito e Governador têm que trabalhar sempre como se fosse para sediar uma Copa do Mundo. Afinal, a nossa Copa é todo dia.