Fábio Kadow
Aquela que parecia ser a maior vantagem do contrato com o Carrefour, a chamada mídia cooperada com seus fornecedores, acabou tornando-se o maior empecilho para o cancelamento de um contrato que estava 99% certo na mesa dos dirigentes corintianos. Uma virada de mesa trouxe de volta a Batavo, parceira em 1999 e 2000, para o uniforme do alvinegro paulista.
De última hora, o Corinthians não aceitou esse modelo, em que a rede de supermercados iria, a cada jogo ou por um determinado período, estampar também as marcas dos seus fornecedores, que ajudariam, claro, a pagar os R$ 20 milhões por ano. O Timão pediu mais dinheiro por isso. O Carrefour não aceitou.
Se o objetivo inicial, ainda no fim do ano passado, era chegar aos sonhados R$ 30 milhões só com o patrocínio principal da camisa, podemos dizer que a diretoria do Corinthians falhou. Ou melhor, caiu na real. Nos últimos três meses várias negociações foram falhando por causa dessa irredutibilidade dos dirigentes do clube, que exigiam valores exagerados para a atual situação econômica do país e do mundo.
A camisa do Corinthians vale R$ 30 milhões por ano? Vale, até mais. Segundo o último estudo da Informídia, o Timão ficou em segundo lugar no ranking de visibilidade de 2008, com uma mídia espontânea estimada de R$ 2,694 bilhões, perdendo apenas para o Palmeiras, que teve R$ 2, 754 bilhões. Mas não nesse momento.
Primeiro pelo motivo já citado, segundo porque o marketing esportivo no Brasil ainda está dando seus primeiros passos rumo a profissionalização e, consequentemente, a valores mais altos (faça uma comparação entre os valores de patrocínio contratados atualmente pelos grandes clubes com aqueles de dez anos atrás, por exemplo. O mesmo para os direitos de televisão…).
A estratégia de vender patrocínios por jogos rendeu ao Corinthians um bom dinheiro, principalmente no caso do clássico contra o Palmeiras, quando Visa, Panasonic e Lupo trouxeram cerca de R$ 700 mil aos cofres. Mas quantos Palmeiras e Corinthians terão no ano? E mais: quantas “voltas de Ronaldo” teremos no ano? Ficou claro o risco dessa estratégia no último fim de semana, quando a fabricante de motos Dafra desistiu do negócio ao saber que Ronaldo não iria jogar contra o Santo André.
O tempo passou, a água foi subindo, a soberba diminuindo e a proposta de R$ 20 milhões do Carrefour foi amadurecendo. Mas, aos 45 minutos do segundo tempo, por esse pequeno detalhe que falamos no começo do texto, o negócio melou.
Chega a vez da Batavo, trazida pela agência de publicidade Dez Propaganda e pela de marketing esportivo Off Field. Ah, quanto a Batavo vai pagar? Um pouco menos dos que os R$ 20 milhões do Carrefour. Serão R$ 18 milhões por 10 meses. Bem, ainda restam o calção e a manga, que, como sabemos são de Ronaldo.
Lado B, Cinema, Cultura, Jornalismo, Bossa Nova, Política, Futebol e Ctrl C + Ctrl V.
Fernando Costa
Fernando Costa, com apenas 30 anos, já foi vice-presidente da União Guarulhense de Estudantes Secundaristas (UGES), Membro da executiva da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Foi assessor parlamentar durante cinco anos e responsável pela apresentação de inúmeros projetos de lei. Atualmente é editor do Jornal Primeira Página e Diretor Presidente da Agência FFC Publicidade.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário