Por Fernando Costa
Podemos fazer a leitura desta disputa de varias formas. Atento-me a dois fatos, a disputa econômica e a política. A briga é de gigantes de um lado o sistema globo com canais de televisão, rádios, jornais impressos, mídia digital, aliados políticos e muito dinheiro. Do outro a Igreja Universal com tudo que a outra tem, e um aditivo de oito milhões de seguidores em suas mais de cinco mil igrejas no Brasil.
Esqueçam tudo que foi dito e se atentem aos fatos, a Globo é há muito tempo à detentora do monopólio da comunicação no Brasil, o que significava a maior parcela em participação de publicidade, o que representa dinheiro (muito dinheiro).
Aí, vem a Record e copia tudo que a Globo faz, tanto na grade de programação como na estratégia de disputa de mercado. E a rede do Bispo começa a ganhar parcela significativa deste dinheiro.
É importante lembrar que essa disputa não é religiosa. Os dois lados sabem bem disso, apesar da igreja universal tentar dar essa conotação para construir sua defesa. E para não entrarmos nesta disputa com paixões desproporcionais em defesa de cada lado. Temos que ter claro que a Universal não representa os evangélicos, assim como a Globo não representa a ética.
Acusações
A Record, segundo veicula a Globo pelos seus telejornais, vem sendo financiada pelo dinheiro arrecadado entre os fiéis da Igreja Universal. Quem é do meio de publicidade sabe a dificuldade em conquistar anunciantes, a Record não se preocupa com isso para crescer e se estruturar, o dinheiro vem dos templos. O que preocupa a Globo.
Poder
A Globo e sua histórica liderança nos índices de audiência nunca foram ameaçados por TV alguma, nunca. O que significa poder e a globo sempre usou o dele para manipular a opinião publica, quem não lembra que foi o canal da família Marinho que colocou e derrubou Collor.
A Globo sempre esteve ao lado do governo. Essa sua vocação é de berço, uma vez que nasceu nos braços dos militares. Apoiar governos, entretanto, não significa não mostrar quem manda. É por isso que ela derrubou o Collor, desestabilizou FHC e tentou derrubar Lula no Mensalão. A idéia é sempre mostrar quem paira sobre o bem e o mau.
Política
Outra questão que se coloca agora é política. O Lula está com 80% de aprovação, a Dilma é uma aposta, a oposição não tem discurso, o Serra não encanta. Lula já ficou oito anos, a Dilma se tudo der certo fica mais quatro, o Lula volta e ganha de qualquer um e fica mais oito anos. Esse é o desespero não apenas da oposição, mas das grandes mídias, leia-se, Globo, Folha, Estadão e Veja.
Não é por outro motivo que tentam de qualquer maneira tirar Sarney, abre-se caminho para pôr alguém da oposição na presidência do Senado, e depois disso provocar uma crise institucional envolvendo Lula, Dilma ou qualquer coisa assim. Seria a cereja no bolo antes das eleições em 2010. Assim como acharam o escândalo do dinheiro na véspera do primeiro turno em 2006 que levou a eleição para o segundo turno entre Alckmin e Lula, pensam em algo agora que possa provocar uma instabilidade eleitoral capaz de colocar freio na escalada de Lula e talvez de sua candidata.
Foi muito interessante ver como a imprensa mudou os números neste um ano para dizer que o Brasil havia entrado na mais profunda desgraça econômica, coisa que acabou não acontecendo. A idéia era que a crise econômica chegasse aqui como um terremoto e terminasse com a oposição no pináculo do poder. Não aconteceu.
Por fim, a crise nos Estados Unidos não foi apenas uma congestão no sistema, foi uma crise de concepção de mundo, uma crise ideológica. Não adianta, a sociedade e a economia vão sofrer mudanças, uma crise é igual a qualquer processo revolucionário, mudam-se conceitos.
E globo e Record querem disputar este espaço daqui pra frente. Vão se formar outros pensamentos e a globo está preocupada em não ter exclusividade neste processo. Afinal, a Globo fez isso na ditadura e no final dela. Formou milhares com seu processo de manipulação e criou um padrão ideológico no povo brasileiro.
As conseqüências disso por aqui são uma disputa para ver quem dará as linhas e contornos do que será o Brasil nos próximos 30 anos. Amazônia, pré-sal e Petrobrás, o tripé de uma força que sustentará os projetos de pais e dirá o que seremos daqui para frente.
Todo este palco, eleições 2010, Lula/oposição e agora Globo e Record, embora não pareçam ligados, estão. É a disputa em meio a um vácuo ideológico que se abriu com a crise americana. Ou seja, já que não tem cartilha vinda do norte, o que seremos e faremos – é disso que se trata e essa é a verdadeira disputa.
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